Levantamento divulgado pelo jornal “Valor Econômico” coloca o Rio Grande do Norte em último lugar no ranking de investimentos, no primeiro semestre de 2017, entre os estados do Nordeste. A lista se baseia em dados da Secretaria do Tesouro Nacional e das secretarias estaduais de Fazendas.

Durante o período analisado, o volume investido pelo governo potiguar foi de apenas R$ 94 milhões. Para o deputado estadual Fernando Mineiro (PT), o baixo nível de investimento tem reflexos negativos na qualidade dos serviços públicos oferecidos à população e no desenvolvimento do Rio Grande do Norte.

“Esses índices de investimentos são, evidentemente, insuficientes para fazer frente às demandas crescentes de infraestrutura e de serviços públicos eficientes. O governo estadual não consegue fazer um planejamento eficiente que sinalize uma saída para a crise econômica e, assim, indique um horizonte mínimo de desenvolvimento”, comentou.

No comparativo nacional de investimento no mesmo período, ficamos à frente apenas de três estados da região Norte: Roraima (R$ 28,7 milhões), Amapá (R$ 34,58 milhões) e Acre (R$ 91,77 milhões). O líder de investimentos no Nordeste foi a Bahia, com volume aplicado de mais de R$ 1 bilhão.

O secretário de Tributação do RN, André Horta, disse que, além da crise econômica, o baixo nível de investimento se deve ao que chamou de “penalização” imposta pelo ajuste fiscal imposto pelo governo Michel Temer (PMDB).

Obras Paradas

Um dos reflexos do baixo nível de investimento é na paralisação de obras que deveriam melhorar a vida da população e ajudar a impulsionar o desenvolvimento do RN. Um relatório do Tribunal de Contas de Estado (TCE), apresentado em julho desse ano, revelou que, no total, 313 obras estão paradas no Estado.

Uma delas é Pró-Transporte, que se arrasta desde quando foi projetada em 2005. A obra começou a ser executada pela Prefeitura de Natal em 2007, mas foi assumida pela Secretaria Estadual de Infraestrutura em 2013. Em fevereiro desse ano, foi repassada ao Departamento Estadual de Estradas e Rodagens (DER).

Para o diretor-geral do DER, a paralisação do projeto se deve ao mau planejamento. Ele disse que, antes de dar a ordem de serviço, era preciso ter feito a desapropriação de 393 imóveis e a construção de uma nova rede elétrica com 201 postes de fios de alta e baixa tensão. “Fizeram tudo ao contrário”, lamentou.

O Pró-Transporte foi anunciado como a obra que iria redefinir a mobilidade urbana na Zona Norte de Natal. Até agora, segundo o DER, foram pagos quase R$ 12 milhões em desapropriações de 173 imóveis, mas os serviços continuam paralisados.

De acordo com inspetores do TCE-RN, as obras paralisadas deixam de injetar R$ 600 milhões na economia do Rio Grande do Norte. Além do Pró-Transporte, estradas, escolas e obras de drenagem e abastecimento d’água seguem paradas, deixando, assim, de beneficiar milhares de potiguares.

Foto: Reprodução/InterTV Cabugi.