Mossoró será sede do lançamento, nesta terça-feira (08), do comitê multipartidário da UERN por direitos sociais e pela libertação do Lula, no Centro de Convivência da instituição. A atividade tem início às 19h e vai contar com apresentações culturais e leitura de manifesto. O deputado estadual e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RN, Fernando Mineiro, vai participar do debate com representantes do PCdoB, PSOL e POR, além dos CAs e do DCE.

A iniciativa do comitê partiu de professores/as e alunos/as da UERN durante uma atividade, realizada no último dia 24, sobre a “democracia no Brasil: golpe, prisão do Lula, Intervenção Militar no Rio e assassinato de Marielle Franco”. Nessa atividade foram recolhidas assinaturas para compor a lista de adesão ao comitê.

De acordo com um dos organizadores, o professor Magnus Cunha, da Faculdade de Educação da UERN, a ideia do comitê é realizar debates, exposição de filmes e documentários, dentre outras atividades em parceria com os CAs e Departamentos para envolver mais pessoas da comunidade universitária. “Nesta quinta já temos uma reunião para discutir uma agenda de atividades para os próximos dias”, disse.

Confira aqui o manifesto do comitê:

MANIFESTO POR DIREITOS SOCIAIS E PELA LIBERTAÇÃO DE LULA

A prisão de Lula é o coroamento do golpe institucional iniciado em 2014 através do boicote da Câmara Federal, chefiada pelo Deputado Eduardo Cunha, à segunda gestão da Presidenta Dilma Roussef, reeleita democraticamente e cassada em 2016. A burguesia optou pelo autoritarismo porque resolveu atacar a fundo os direitos da classe trabalhadora e a soberania nacional. Para dar prosseguimento a estes ataques foi construída uma aliança orquestrada pelo capital financeiro e multinacionais que envolve, além de políticos brasileiros de direita, a grande mídia e setores do Poder Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal.

Com o golpe em consolidação, já avançaram sobre nós com a Reforma Trabalhista e com o congelamento dos investimentos públicos por 20 anos, afetando o emprego, a saúde, a educação e a segurança públicas, serviços dos quais depende diretamente a maioria de nosso povo explorado, bem como diminuindo, significativamente, a cobertura de vários programas sociais, como o Minha Casa Minha Vida, a Farmácia Popular, o Bolsa Família e o PIBID, dificultando também o acesso dos estudantes ao FIES, ao PROUNI e a outras formas de assistência estudantil, para citar alguns exemplos.

O governo golpista do Temer se articula ainda para atacar as nossas aposentadorias, ataque este que, se somando às conseqüências da Reforma Trabalhista, nos colocará em regime de escravização até à morte. Enquanto isso, este golpista modifica as regras para a exploração do petróleo, reduzindo drasticamente o protagonismo da Petrobrás na exploração desse nosso patrimônio, descapitalizando nossa mais importante e estratégica estatal e conduzindo-a a uma política de reajustefreqüente dos preços dos combustíveis, que sacrifica a classe média e aos pobres. Junto à venda de várias refinarias da Petrobrás, há também a tentativa de privatização da Eletrobrás e da Embraer, dentre outras estatais, o que implica num ataque sem precedentes à soberania nacional.

Neste contexto, se observa processos judiciais que correm à revelia da constituição, criando-se um estado de exceção no qual provas são desnecessárias, leis não são respeitadas e a jurisprudência é utilizada ao gosto de quem julga. Acreditamos que somente a classe operária e os demais explorados podem julgar Lula.

A defesa da libertação de Lula é fundamental porque é parte da luta contra as tendências ditatoriais que têm se fortalecido com o Golpe de Estado e não se confunde com a defesa do voto em Lula. A prisão de Lula abreprecedente para que os governos se sintam mais encorajados a avançar com métodos repressivos sobre os movimentos sindicais, estudantis e populares, como são os casos do assassinato de Marielle, a intervenção militar no Rio de Janeiro, o ataque ao acampamento do MST em Mossoró e a prisão arbitrária e a violência praticada contra o dirigente do DCE da UERN.

Nós trabalhadores e trabalhadoras não podemos ficar parados, menos ainda a comunidade universitária, observando o avanço do autoritarismo em nosso país. A forma de lutar contra o avanço do autoritarismo é organizar um amplo movimento nacional dos explorados que combine as bandeiras de liberdade de Lula com as reivindicações contra as Reformas do governo de ditadura civil de Temer e em defesa das condições de vida dos explorados.

O Comitê da UERN tem como objetivo barrar o ataque aos direitos sociais e defender a imediata libertação de Lula.

Comitê da UERN por Direitos Sociais e pela Libertação de Lula.

Foto: Ricardo Stuckert