Por Fernando Mineiro (Deputado estadual PT-RN)

Um ano depois do impeachment, nem os coxinhas mais amarelos conseguem disfarçar a frustração e o constrangimento (para dizer o mínimo) com o que eles construíram golpeando a presidenta Dilma e a democracia. O tempo, que é o mais implacável dos juízes, se encarregou de desmascarar todas as narrativas difundidas pelos mentores do golpe para justificar o injustificável. E de revelar quais eram os verdadeiros criminosos, a extensão e a gravidade dos seus crimes.

De 2016 pra cá, todas as acusações usadas contra Dilma viraram pó, segundo as próprias instituições responsáveis pela investigação e o julgamento das denúncias. Pedaladas fiscais? Não houve. Crime de responsabilidade? Não houve. Obstrução de justiça? Não houve.

No caso mais recente em que Dilma foi inocentada, nesta semana o Tribunal de Contas da União reafirmou decisão de 2014, concluindo que o Conselho da Petrobras, presidido por Dilma, não cometeu nenhum ato de gestão irregular na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, em 2006.

No caso dos golpistas, o tempo provou o contrário: em um ano avolumaram-se os crimes devidamente documentados contra muitas das principais figuras do PMDB, PSDB, DEM e outros partidos que deram sustentação ao impeachment no Congresso Nacional. O próprio Temer e seu entorno pessoal foram denunciados por corrupção, num processo em que o presidente só não foi destituído porque promoveu uma escancarada operação de compra de votos na Câmara Federal. E vem mais “flecha” por aí.

Também avolumaram-se as ações e decisões do governo golpista – nos campos econômico, social e político – que agravaram a crise do Brasil, degradaram a imagem internacional do país e pioraram muito a vida dos brasileiros. A lista é vasta e demonstra que a tal “ponte para o futuro” nunca passou de um atalho para puxar o Brasil para trás. Com desemprego, cassação de direitos trabalhistas e previdenciários, cortes de investimentos públicos em obras e áreas estratégicas, aumento do déficit fiscal, privatização das riquezas e do patrimônio nacionais, destruição de programas de inclusão social, sucateamento da saúde e da educação etc etc etc.

O conjunto da obra evidencia qual era o objetivo dos golpistas: interromper o projeto de desenvolvimento econômico com justiça social implementado nos governos de Lula e Dilma. E colocar no lugar, com a cumplicidade de setores atrasados da mídia, do empresariado, do Ministério Público e do Judiciário, o que vimos ao longo de um ano: a República dos Fufucas – atrasada na política, entreguista na economia, excludente no campo social, desacreditada no cenário global.

O segundo momento do golpe está em curso agora: impedir a candidatura de Lula a presidente, fabricando denúncias em série, distorcendo os fatos, manipulando provas e desrespeitando até os ritos judiciais, na ânsia por uma condenação terminal antes de 2018. A extraordinária comunhão entre Lula e o povo brasileiro, demonstrada nas caravanas dele pelo Brasil, certamente deve ter assustado ainda mais os golpistas.

Contra eles, não tem outro caminho: a sociedade precisa sair do estado de letargia e reassumir o protagonismo político, agora e em 2018, para derrotar a república do atraso, restaurar a democracia golpeada e retomar o país para o povo brasileiro. Ou a gente vai à luta ou o Brasil se fufuca de vez.

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil