FRENTE PARLAMENTAR E POPULAR EM DEFESA DA UERN
Pau dos Ferros/RN, em 09 de julho de 2018.

Compreender a grandiosidade da UERN passa necessariamente pela compreensão do fato de cada um e cada uma de vocês, cada um e uma de nós, estarmos aqui neste auditório, em plena segunda-feira pela manhã interessados na discussão sobre a manutenção de uma universidade viva e forte para aqueles/as que nela trabalham e para aqueles/as que nela estudam ou querem estudar. Uma Instituição se faz importante pelo coletivo que ela consegue reunir em torno dela, em torno de sua existência.

A existência da UERN e deste campus da UERN se confundem com a existência das pessoas e da realidade das pessoas deste chão. Vidas que foram e que são transformadas pelo funcionamento do Campus da UERN em Pau dos Ferros, pelas histórias que cada estudante traz e, sobretudo, pelo conhecimento construído a partir de cada componente curricular, cada  atividade e projeto de extensão, pelo envolvimento em cada Projeto de pesquisa.

As pessoas que pesquisam neste campus têm que ter, e têm tido, a preocupação de que de nada adianta compreender a ciência, em sua essência mais pura, se não aplicá-la à realidade das vidas que ocupam este território. É nesse sentido que os pesquisadores do CAMEAM precisam ser conscientes da necessidade de compreender a realidade do jovem crediarista de Tenente Ananias que precisa abandonar o ensino médio para trabalhar aos 15 anos de idade, dos Grupos e Comunidades negras quilombolas da cidade de Portalegre e seus valores e história de ocupação daquela serra. Os que aqui estudam e pesquisam precisam compreender a constituição de Pau dos Ferros como cidade polo do comércio, da Educação, dos Serviços e das características e dinâmicas sociais que a tornam a cidade mais importante do Alto Oeste Potiguar.

Não é possível aos pesquisadores/as daqui deixar de compreender a potencialidade da produção da água marinha como pedra preciosa em Tenente Ananias ou da força de produção do caju em Itaú, Rodolfo Fernandes e Severiano Melo. Saber de quantos e quais estudantes trabalham e precisam continuar na atividade têxtil de Taboleiro Grande e São Francisco do Oeste olhando para experiências produtivas como a de São Bento da Paraíba. É inadmissível fechar os olhos para a força do Cooperativismo de Portalegre ou para as iniciativas de Turismo em Luís Gomes, Portalegre e Martins. Tudo isso está atrelado a oferta de cursos da UERN porque se confunde com o fazer e com a história do Povo daqui. A Universidade tem que ser consciente da sua vocação e de como seus sujeitos ou a vida de seus estudantes se confundem com a importância do próprio território que eles ocupam.

Não é possível que a Universidade não esteja atenta à necessidade de mobilizar toda a sociedade para os cuidados de manejo com a ÁGUA e da importância iminente de juntar gente para, não apenas gritar aos governantes, mas apontar os caminhos necessários a solução definitiva que deve por fim aos nossos problemas hídricos, que se arrastam seca após seca.

Sem conhecer a constituição histórica da Região, sem compreender a força econômica e produtiva de São Miguel no que concerne a produção de milho no presente e de algodão no passado, não haveremos de compreender por onde devemos caminhar para ter sucesso na vida desse povo, e consequentemente, para vivermos bem.

A Universidade conhece o caminho das pedras para superar as dificuldades que as nossas crianças e jovens enfrentam para dominar a leitura e a escrita  – competências mais desejadas por eles mesmo seus pais e mães de família para eles e seus filhos. Também sabemos de como essas habilidades de ler e escrever podem se constituir numa ferramenta de libertação das amarras de exploração em suas mais diversas facetas. Há uma relação direta entre a falta de escolaridade e a violência, a entrada para o mundo do crime. Na mesma proporção há uma correlação direta entre a construção do saber e a abertura de oportunidades e de uma mudança de base que precisa ocorrer para que sejamos deveras livres, livres pelo conhecimento.

A UERN, do seu nascedouro até os dias atuais, incluindo seus contextos de crise a exemplo da que hoje enfrenta, nunca desmereceu o reconhecimento que goza perante aos que dela se aproximam.  Pessoas pobres cuja origem poderiam lhes fadar o fracasso conseguiram mostrar que a presença de uma instituição de ensino superior pode redimi-las bastando-lhes o gesto desta universidade em abrir-lhes as portas.

Este campus se orgulha de, em 40 anos e ao longo de toda essa história ter se constituído oportunidade ao abrir suas portas e gerado chances para aqueles e aquelas que hoje são Estudantes de pós graduação, um Reitor de Universidade, Diretores de Hospitais, Diretores de Escolas inúmeros professores e professoras das mais diversas áreas, um Diretor do IBGE.

Um dia uma jovem chegou a este campus cheio de sonhos, mas não tinha o dinheiro pra Xerox dos materiais de suas disciplinas, não podia comprar o uniforme convencionado por sua turma, não sabia que na academia também se padece de interesses políticos espúrios em que decisões tomadas na Assembleia Legislativa e as vezes na Governadoria compromete o imposto que seus pais entregam aos cuidados do Estado. E mesmo assim, a entrega dessa jovem à leitura e a reflexão proporcionada pela pesquisa lhe rendeu ascensão e liberdade. Se transformou depois em arrimo de família. São histórias como essa que nos prova que a UERN tem se traduzido em oportunidade que transforma Vidas.

Essa realidade foi a que nos conduziu ao século XXI e hoje percebemos não há mais espaço pra administrações amadoras no RN, a luta dos profissionais pela manutenção dos seus direitos e pela qualidade do ensino muitas vezes é menosprezada, e alguns destes deixam-se influenciar politicamente, para beneficiar os gestores e seus interesses. Isso tem que ter um fim. E por causa disso aqueles que hoje ocupam o Governo e aqueles que desejam ocupar o Palácio Potengi vão ter que se comprometer com a sociedade do Rio Grande do Norte de cuidar e investir nesta Universidade redentora de tantas vidas de jovens que nela adentram para cursar suas faculdades. Não abriremos mão de um governo que priorize a educação para dar fim a violência, não abriremos mão de um governador ou governadora que enxergue a UERN como uma das referências para o desenvolvimento de Estado a partir de cada cidade-campus da UERN.

Por tudo isso, conclamamos a sociedade civil, a classe política, a sociedade em geral a defender não apenas a efetiva permanência da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, mas a sua ampliação. Ampliação de seus cursos, ampliação da sua infraestrutura. Investimento forte para a educação básica. Educação básica que fomenta a Universidade na medida em que faz formação de base para os estudantes que ingressam na UERN e em outras Instituições de Ensino Superior.

Cada um de nós aqui precisa entender que ao investir na educação vai se fomentar a ampliação do comércio e dos serviços de saúde, do mercado imobiliário, das redes alimentícias de supermercados e restaurantes. As cidades de Patu, Caicó, Assu e Pau dos Ferros são exemplos muito vivos dessa perspectiva.

A Direção deste Campus está se colocando a disposição de todos vocês deputados, vereadores, prefeitos, líderes comunitários, Comunidade Acadêmica e Comunidade Externa para, nesta região, nos constituirmos em elo de diálogo em prol do desenvolvimento da nossa Instituição que esteja estritamente relacionado a região pra que a partir do Alto Oeste possamos unir vozes em várias outras regiões onde a UERN serve, e assim desenvolver ações em prol de quem de fato precisa da UERN em todo o Rio Grande do Norte.

Uernianos, Unamo-nos! Porque a UERNosUne!

Prof. Jailson José dos Santos
Diretor do Campus da UERN em Pau dos Ferros