Por Fernando Mineiro (Deputado estadual-PT/RN)

A definição de 15 de outubro como Dia do Professor remete à criação nessa data, em 1827, das escolas de primeiras letras, por decreto do imperador dom Pedro I. Era o início formal do sistema de ensino brasileiro. Estava começando também a saga do(a) professor(a) para fazer da educação um instrumento de transformação do país e para garantir a valorização dessa que é uma das mais profissões mais antigas e respeitadas. Ou deveria ser, mas, no Brasil — e particularmente aqui no Rio Grande do Norte — a realidade é bem diferente.

Ser professor(a) torna-se uma escolha cada vez mais temerária. O trocadilho não é gratuito. Desde o golpe, Temer e sua turma da pesada são um fator de insegurança a mais para os(as) educadores(as), com sucessivos ataques à carreira e à educação em geral. Estão aí os cortes de recursos; a inflexão conservadora nas grades curriculares; o fim de programas de pesquisa e extensão nas universidades; as ameaças ao piso nacional do magistério e ao Fundeb. Se a gente não resistir, o estrago vai ser do tamanho da lista: grande.

A educação é um dos eixos do assalto neoliberal ao Estado brasileiro. É onde os golpistas mais têm mexido, sempre para pior. Eles não fazem isso à toa: uma parte significativa dos avanços do país nos governos Lula e Dilma ocorreu justamente na educação. Os retrocessos — do ensino básico à universidade — são parte da estratégia privatista e entreguista de um governo desenhado para desmontar o projeto de desenvolvimento com inclusão social realizado nos governos petistas. Se depender dos golpistas, não será pela educação pública que o brasileiro vai voltar a melhorar de vida.

Mas a gente resiste e continua, porque professor(a) sempre deu lição de organização, resistência e protagonismo político. De coragem para resistir ao rolo compressor dos golpistas e continuar o trabalho de transformar o Brasil pela educação, como ensinou o mestre Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. De coragem para desafiar a insegurança que ronda as escolas públicas, principalmente nos bairros mais pobres, onde educadores(a), alunos e funcionários estão expostos à violência cotidiana. De coragem para responder “Presente!” sempre que a educação e o país chamam para a luta.

 

Foto: Vlademir Alexandre (protesto de trabalhadores em Natal)