A situação das escolas da rede pública estadual do RN será debatida em audiência pública, nesta terça-feira (05), por iniciativa do deputado estadual Fernando Mineiro (PT). A atividade, resultado da luta dos/as estudantes secundaristas contra a precarização das escolas, vai ser realizada às 15h30 no auditório da Assembleia Legislativa. O Sindicato dos/as Trabalhadores/as em Educação Pública do RN (Sinte/RN) também apoiou e contribuiu para a organização da audiência.

Mineiro acredita que a audiência vai ser importante para chamar a atenção da sociedade para a situação precária das escolas públicas do estado. “Para que essa realidade mude, é preciso que a sociedade reaja e cobre do Governo melhorias para garantir as condições e estruturas necessárias para que os/as alunos/as possam frequentar as escolas e para que os/as professores/as e funcionários/as tenham condições de trabalho”, disse o deputado.

A estudante secundarista Clélia Moreira, diretora de grêmios da UMES – Natal (União Municipal dos Estudantes Secundaristas), também destacou a importância da atividade para que a comunidade escolar possa externar os problemas de estrutura e exigir que o Governo faça a manutenção das escolas. “A precarização da educação pública no estado vem se alastrando há vários anos e isso perpassa para além do desmonte, atingindo a estrutura”, disse.

De acordo com a estudante, as escolas não apresentam o mínimo de estrutura para que as aulas aconteçam. “Tem escolas com goteiras, sem ar-condicionado e laboratórios de informática, por exemplo. Em algumas não existem sequer ventiladores nas salas de aula ou bebedouros que não estejam enferrujados e não ofereçam risco para a saúde do estudante”, denunciou Clélia. Ela citou também o apoio dos/as secundaristas à greve dos/as professores/as no início deste ano, onde uma das reivindicações foi a questão estrutural das escolas.

A estudante e presidenta da Ames-Extremoz (Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas de Extremoz), Rayane Andrade, denunciou a falta de estrutura do CEEP de Extremoz, escola técnica de tempo integral que possui 308 estudantes. Ela disse que as salas ficam lotadas e não são climatizadas, os banheiros não têm portas e a escola está sendo tomada pelo mato.

“Temos um auditório caindo aos pedaços impossibilitando o uso do espaço, sem falar da quadra que quando chove acumula muita água, sendo perigoso para o uso dos estudantes, que podem escorregar (como já aconteceu), cair e se machucar. O lanche é de péssima qualidade e o aluno só recebe 2 reais por dia para as refeições na escola, ou seja, sem condições alguma para ter uma alimentação de qualidade”.

Rayane lamentou as dificuldades pelas quais os estudantes passam enquanto o governo não aplica os recursos para a melhoria da educação. “Tudo isso é muito desumano, pois enquanto o dinheiro da educação está sendo desviado para manter privilégios de uns, tem aluno sem ter onde estudar, tem escola caindo aos pedaços, tem aluno passando mal e a cada dia que passa essa realidade só aumenta”.

A falta de estrutura básica nas escolas estaduais também foi criticada pelo estudante secundarista Matheus Felipe, primeiro-secretário da Uesp (União dos Estudantes Secundaristas Potiguares), ao citar que um estudante passou mal na escola neste ano por falta de ventilação na sala de aula.

Matheus disse, ainda, que o Executivo faz uma série de anúncios dizendo que o tempo integral nas escolas está funcionando, mas que na prática a realidade é outra. “Por mais que o governo invista muito dinheiro nas propagandas, na prática as escolas estão sucateadas e a maioria delas não passa por uma reforma há muito tempo”, denunciou.

O secundarista destacou também a importância da audiência para que os/as estudantes possam ocupar esse espaço democrático e conseguir melhorias. “Nós esperamos que o governo e a secretaria de Educação consigam dar hoje uma resposta clara para a gente, mostrar por que as escolas estão sucateadas desse jeito e uma proposta para resolver esse problema”.

Foram convidados/as para a atividade a secretária estadual da Educação e da Cultura (SEEC), Cláudia Santa Rosa; representante do Sinte/RN; representante da UMES Natal; representante da Uesp; representante da AMES-Extremoz; e representante da União Brasileira de Estudantes Secundaristas – UBES.