O dia 3 de dezembro é lembrado no mundo inteiro como o Dia Internacional de Luta contra os Agrotóxicos. A data se refere à tragédia de Bhopal, na Índia, quando uma fábrica de agrotóxicos explodiu, em 1984, matando cerca de 20 mil pessoas e deixando milhares feridas e com sequelas.

No Brasil, há pouco o que se comemorar. Segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o país assumiu, em 2008, o posto de maior mercado mundial de agrotóxicos, posição que ocupa até hoje, batendo os EUA. No RN, quase não há controle: o estado possui apenas uma central de recolhimento de embalagens, localizada no município de Baraúna.

Para reduzir progressivamente o uso de agrotóxicos nas plantações, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), em parceria com mais nove ministérios e órgãos do Governo Federal, quer lançar o Programa Nacional para Redução do Uso de Agrotóxicos (Pronara).

O Programa é fruto de demandas dos movimentos sociais da agricultura familiar e reforma agrária – mulheres, homens e jovens do campo, das águas e das florestas –, reivindicando mais saúde para o campo e, consequentemente, para a cidade – 75% dos alimentos que chegam às mesas dos brasileiros vêm do campo. O objetivo é reduzir o uso de agrotóxico nas lavouras por meio de conversão para sistemas de produção orgânicos e de base agroecológica.

Entende-se por agrotóxico o grupo de produtos químicos utilizados para destruir ervas daninhas (herbicidas), insetos (inseticidas) e fungos (fungicidas). Esses produtos são amplamente usados na agricultura, horticultura, reflorestamento e no processamento secundário destes produtos nas indústrias.

No entanto, a exposição a este tipo de produto causa inúmeros malefícios ao ambiente e à saúde. E isto é problema de saúde pública, pois contamina desde o solo, os alimentos e a água até o leite materno, causando também câncer.