Cerca de 50 integrantes da classe artística potiguar realizaram um protesto nesta quarta-feira, 2, para reivindicar da Prefeitura o pagamento do edital do Cine Natal 2014. A manifestação, batizada de “Claquetada”, reuniu atores, diretores, fotógrafos, produtores, técnicos, coletivos e grupos teatrais em frente à Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte) e ao Palácio Felipe Camarão. Eles entregaram uma carta-manifesto com quatro reivindicações a um assessor do prefeito Carlos Eduardo Alves, que se negou a recebe-los alegando que estava em uma reunião.

De acordo com Márcia Loss, membro fundadora do Coletivo Caboré Audiovisual e da Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas do RN (ABDeC/RN), nenhum dos seis curtas-metragens beneficiados pelo edital do ano passado recebeu o dinheiro da Prefeitura. Cada produção foi contemplada com R$ 50 mil, mas o município entraria apenas com 1/3 desse valor, totalizando R$ 100 mil. Os outros 2/3 seriam repassados pelo Fundo Setorial do Governo Federal, que só podem ser liberados após o pagamento prévio da Prefeitura.

“Até agora não recebemos nada. Pelo cronograma do edital, deveríamos entregar os filmes neste mês à Prefeitura. Mas como é que podemos fazer alguma coisa sem o dinheiro?”, questionou.

Márcia disse que a Prefeitura alega que não tem recursos para pagar os R$ 100 mil. Ela afirmou que desde o ano passado tenta, sem sucesso, uma audiência com o prefeito Carlos Eduardo Alves e com o secretário da Funcarte, Dácio Galvão.

Ainda segundo Márcia, a diretora de Audiovisual da Funcarte, Bruna Hetzel, disse que “o pagamento do edital não é prioridade para a Prefeitura”. “Ela [Bruna Hetzel] disse que no próximo dia 10 vai haver uma reunião para tratar do remanejamento de verbas da Prefeitura. Entre os recursos que devem ser remanejados está a verba do Cine Natal 2014”, contou.

A carta-manifesto entregue nesta quarta contém quatro reivindicações: o pagamento do edital de forma igualitária; o lançamento do Cine Natal 2015; a efetivação do Núcleo Audiovisual da Funcarte, que atualmente é formado por apenas uma pessoa; e a correção das pendências relativas à prestação de contas dos projetos do Cine Natal 2013.

Márcia disse que o fomento do setor audiovisual é um “investimento na economia criativa da cidade”. Ela lamentou que o município não dê prioridade à área, como declarado pela diretora Bruna Hetzel.

Foto: Vlademir Alexandre.