“Hoje sai a notícia que todos podem observar nas ruas: desde o impeachment, apenas no ano de 2017, aumentou em 1 milhão e 500 mil os brasileiros que sofrem na pobreza extrema. Não são números. São homens, mulheres, idosos, crianças, famílias. Meninos e meninas que voltam a pedir dinheiro na rua. Foi a mudança de rumo sem voto de um Brasil que era de inclusão social. Agora o país retorna para um passado que tinha sido superado. São as maiores vítimas do golpe. O golpe não foi contra a Dilma, Lula ou o PT. Foi contra o Brasil. A democracia precisa voltar. A inclusão social precisa voltar”.

A crítica foi publicada pela equipe do ex-presidente Lula – preso político desde o dia 7 -, em sua página no Facebook, sobre o aumento do número de pessoas em situação de extrema pobreza no Brasil em 2017, crescimento de 11,2% em relação ao ano anterior. Os dados foram apresentados ontem (11) pelo IBGE e divulgados nesta quinta-feira (12) pelo Valor Econômico. O levantamento foi realizado pela LCA Consultores, a partir dos microdados da Pnad Contínua.

O economista da LCA, Cosmo Donato, em entrevista ao Valor, disse acreditar que um dos fatores para esse aumento é o fechamento de postos com carteira assinada, que têm garantias trabalhistas e pisos salariais. “No lugar desse emprego, o mercado de trabalho gerou ocupações informais, de baixa remuneração e ganho instável ao longo do tempo. A própria crise fiscal dos Estados afeta indiretamente, ao gerar menos empregos para essa parcela mais pobre da população, que geralmente é menos instruída. Estou falando de postos relacionadas a obras públicas, por exemplo”, disse o economista.

De acordo com o levantamento, todas as regiões exibiram indicadores piores de pobreza, sendo o aumento maior na região Nordeste. A região tinha 7,36 milhões de pessoas em extrema pobreza em 2016 e aumentou para 8,16 milhões no ano passado. O Sudeste também teve um piora considerável, de 2,88 milhões para 3,28 milhões de pessoas.


Confira [+] sobre o estudo no Valor: Pobreza extrema aumenta 11% e atinge 14,8 milhões de pessoas
Foto: Marcello Casal/Arquivo/Agência Brasil