O governo Temer fez o Brasil retroceder 50 anos em investimentos públicos em apenas 2 anos no poder. De acordo com a série histórica construída pelos economistas Rodrigo Orair e Sergio Gobetti, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgada pelo jornal Estadão na última sexta-feira (27), a União, estados e municípios investiram cerca de R$ 1,17% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2017 – o menor nível em 50 anos no país.

Dados fiscais divulgados pelo Tesouro Nacional mostram também que, no ano passado, além da falta de novos investimentos, o dinheiro aplicado não foi suficiente para manter a infraestrutura já existente. A conservação de estradas, prédios e equipamentos que pertencem ao poder público, por exemplo, ficou comprometida com a queda de investimentos.

O estudo dos economistas indica ainda que, antes de 2017, os períodos de menores investimentos públicos foram registrados em 1999 e 2003, quando atingiram cerca de 1,5% do PIB, mas logo voltaram a crescer.

A queda nos investimentos era previsível, apontou o deputado estadual Fernando Mineiro (PT). Com a aprovação da PEC do Teto dos Gastos, que congela os investimentos públicos por 20 anos, “todas as atividades têm sido comprimidas”. “A falta de investimentos é visível e tem atingido diretamente a economia, desde a indústria, construção civil e obras de saneamento até o comércio nos municípios”, destacou o parlamentar.

Em suas visitas aos bairros de Natal e aos interiores do RN, Mineiro diz perceber a queda nas atividades dos comércios e o aumento do número de pessoas nas ruas pedindo esmolas. A falta de investimento aprofunda ainda mais as desigualdades sociais e a concentração de renda.

O aumento do desemprego também é outra consequência apontada pelo deputado. Matéria divulgada pelo G1, também na última sexta (27), mostra que o índice de desemprego no Brasil atingiu 13,1% em março. Isso significa quer 13,7 milhões de pessoas estão desempregadas no país.  “Quem está pagando o pato desse projeto de Brasil que está em curso são os mais pobres e os/as trabalhadores/ e pequenos/as empresárias/as”, afirmou Mineiro.

*Com informações do Estadão e CUT.
Foto: Vlademir Alexandre