O governo Robinson Faria tem sido ineficiente na aplicação de políticas públicas de segurança que reduzam os números de violência contra a mulher no Rio Grande do Norte. De 2015 a 2018 – período dessa gestão –, durante os meses de janeiro e fevereiro, o número de mulheres assassinadas no estado cresceu 33,3%. As estatísticas possivelmente são mais alarmantes, mas “não há preocupação do Governo do RN em obter e divulgar esses dados de forma pública”. A avaliação e os dados comparativos estão disponíveis no 5º Boletim Especial: Mortes Matadas de Mulheres, produzido pelo Obvio RN (Observatório da Violência Letal Intencional).

O estudo do Obvio traz o registro de violência letal contra as mulheres potiguares, residentes ou em passagem pelo estado, traçando um perfil das vítimas com estatísticas de 1 de janeiro a 28 de fevereiro desses quatro anos. Ao todo, 64 mulheres foram assassinadas nesse período. Ao fazer o recorte para as mulheres negras, o crescimento do número de mortes foi de 600%.

Em 2018, nesses dois primeiros meses, 20 mulheres foram assassinadas no RN. Dessas vítimas, 16 eram negras ou pardas (80%). Considerando a faixa etária, 50% dos casos foram contra mulheres de 12 a 24 anos. A maioria das vítimas (70%) recebiam até dois salários mínimos e cursaram até o nível fundamental (80%).

O interior do RN registrou o maior número de assassinato contra mulheres (70%) e Mossoró é a cidade que lidera o ranking de feminicídios com 8 vítimas em dois meses (40%). Dos 20 casos desse ano, em 17 deles foram utilizadas armas de fogo e em 3 armas brancas.

Nas considerações finais, os coordenadores do Obvio, Ivenio Hermes e Thadeu de Sousa Brandão, reforçaram a crítica contra a falta de estatísticas do Estado para tipificar os crimes contra as mulheres e destacaram que desde a primeira publicação dessa série especial, em 2016, alertaram para a subnotificação de crimes contra as mulheres no RN. “Mas nada foi feito para que as DEAMs (Delegacias Especializadas de Atendimento às Mulheres) pudessem receber mais apoio e desenvoltura em suas atividades”.

Ainda de acordo com os coordenadores, as políticas públicas atuais ainda têm pouca eficácia e “todo o processo de construção de políticas protetivas e de segurança para as mulheres deve ser norteado pelo mapeamento e estudo real de vulnerabilidades, que concatene ações realmente estudadas e distante do empirismo que a maioria das ações do estado do RN tem se baseado”.

Confira o relatório AQUI.

Foto: auto-ensaio fotográfico de Gabriela Feliciano / Arte: Ivenio Hermes