O edital do Prêmio Cine RN 2018, publicado para consulta pública nesta segunda-feira (16) pela Fundação José Augusto (FJA), vai ser realizado através de recursos de emenda parlamentar do deputado Fernando Mineiro (PT), do Fundo Estadual de Cultura e do Fundo Setorial do Audiovisual. Ao todo, serão R$ 1,405 milhões para investimentos em produção de filmes, longas, curtas, documentários, roteiros e festivais.

De acordo a produtora independente, documentarista e conselheira da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas do Rio Grande do Norte (ABDeC-RN), Dênia Cruz, foi a emenda de Mineiro que possibilitou a abertura do edital pois a FJA afirmava que não tinha recursos e o Fundo Setorial exigia uma contrapartida local.

Há cerca de dois anos, Mineiro já havia procurado os produtores audiovisuais potiguares para saber como poderia contribuir com o setor. Na época, ele chegou a disponibilizar emenda parlamentar no valor de R$ 100 mil, mas a mesma “caducou”, segundo Dênia, por falta de interesse da gestora da Fundação na época.

Agora, com a nova gestão da FJA, o grupo pôde abrir o diálogo sobre o edital e retomaram o contato com Mineiro. “Quando a gente falou que o Fundo Setorial exigia que a contrapartida do ente local fosse de, no mínimo, R$ 200 mil, o deputado acionou todas as possibilidades dentro do seu mandato e conseguiu esse recurso. A própria Fundação também disponibilizou recursos próprios”, disse a documentarista. “Esperamos que o edital nacional abra também porque esses recursos só serão possíveis se o edital e arranjos regionais realmente forem abertos”, frisou.


Para Dênia Cruz, o edital é inédito e histórico, mas é apenas o primeiro passo pois o setor audiovisual potiguar “ainda tem muito o que batalhar”. Ela acredita que o documento está “muito aquém do que o mercado necessita enquanto cadeia produtiva”. Ela citou como exemplo os editais estaduais e municipais de estados vizinhos como Paraíba, Ceará e Pernambuco estarem muito a frente do nosso. “O Fundo de Cultura de Pernambuco, neste ano, veio com o aporte de R$ 25 milhões e agora que a gente está passando de R$ 1 milhão, então temos muito o que andar”, avaliou.

“Mas é de suma importância esse momento, sim, porque o nosso audiovisual mostrou a que veio”, defendeu. A produtora destacou o reconhecimento nacional e internacional que o audiovisual potiguar tem recebido, com websérie premiada, por exemplo. “O potencial que temos dos nossos realizadores tanto do lado documental quanto do ficcional é evidente”, disse a produtora.

“Me sinto com um passo a mais dado, mas sabendo que a gente tem muito o que caminhar ainda e que falta muito para a gente ter um mercado próximo ao que é trabalhado no Nordeste e nacionalmente”, reforçou Dênia Cruz. “Parabéns ao deputado Mineiro por ter recebido a gente e ter tomado essa iniciativa e ao atual gestor da FJA por ter ouvido essa demanda e feito essa articulação política junto ao mandato e à classe”.

Fotos: Vlademir Alexandre