Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo foram vítimas da escravidão moderna em 2016 – 25 milhões em trabalho forçado e 15 milhões obrigadas a se casar. Cerca de 152 milhões de crianças entre cinco e 17 anos foram submetidas ao trabalho infantil no mesmo ano, representando quase uma em cada dez crianças no mundo. Os dados alarmantes foram apresentados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), nesta segunda-feira (18), durante a Assembleia Geral das Nações Unidas.

A pesquisa também aponta que mulheres e meninas são as mais afetadas com a escravidão moderna, sendo 71% das vítimas (quase 29 milhões). Elas representam 99% das vítimas de trabalho forçado na indústria comercial sexual e 58% em outros setores, 40% das vítimas de trabalho forçado imposto por autoridades de governos e 84% de casamentos forçados.

Estima-se que 15,4 milhões de pessoas viviam em casamentos forçados em qualquer momento de 2016. Desse total, 6,5 milhões de casos ocorreram nos últimos cinco anos (de 2012 a 2016). O restante começou antes desse período, mas continuou durante ele. Mais de um terço de todas as vítimas do casamento forçado eram crianças no momento em que se casaram, e quase todas essas crianças vítimas eram meninas.

O trabalho infantil é outro dado que choca no levantamento: uma em cada quatro vítimas são crianças. A atividade que elas desenvolvem continua concentrada principalmente na agricultura (70,9%). Quase um em cada cinco trabalhadores infantis trabalha no setor de serviços (17,1%), enquanto que 11,9% dos trabalhadores infantis trabalham na indústria.

O maior número de crianças de cinco a 17 anos envolvidas em trabalho infantil foi encontrado na África (72,1 milhões), seguida da Ásia e do Pacífico (62 milhões), das Américas (10,7 milhões), da Europa e da Ásia Central (5,5 milhões) e dos Estados Árabes (1,2 milhões).

Aproximadamente um terço das crianças de cinco a 14 anos envolvidas em trabalho infantil estão fora do sistema educacional. Além disso, entre as crianças que realizam trabalhos perigosos, 38% das que têm de cinco a 14 anos e quase dois terços das que têm de 15 a 17 anos trabalham mais de 43 horas por semana.

Confira AQUI relatório completo (em inglês) elaborado pela Aliança 8.7, em conjunto com a OIT e Fundação Walk Free, e em parceria com a Organização Internacional para Migração (OIM).

Fotos: Lisa Kristine