A necessidade de mobilizar o movimento estudantil para a luta contra os ataques à educação, a retirada de direitos e os retrocessos na democracia deu o tom dos discursos na abertura do 1º Congresso da União Estadual dos Estudantes do Rio Grande do Norte (CONUEE-RN), na noite de sexta-feira (13), no anfiteatro do campus da UFRN em Currais Novos. Em sua saudação aos/às estudantes, o deputado estadual Fernando Mineiro (PT) destacou o protagonismo da juventude na resistência ao que chamou de “nova ditadura” em curso no Brasil.

“Todos os processos de transformação no mundo sempre tiveram a juventude como protagonista. No Brasil não é diferente. Vivemos uma nova ditadura depois do golpe que cassou a presidenta Dilma Rousseff, que foi vítima do ódio de classe da nossa elite. É um momento de retrocessos, que não é uma exceção na nossa história, mas sim sua marca”, declarou, diante de uma plateia de estudantes da UFRN, UERN, IFRN e de diversas instituições particulares.

O presidente da UEE-RN, Tony Robson, falou sobre o trabalho de reestruturação da entidade, criada em 1956. De acordo com ele, o congresso consolida esse movimento de fortalecimento da luta estudantil no RN.

O prefeito Odon Júnior (PT) deu as boas-vindas aos congressistas, relembrou sua trajetória no movimento estudantil e ressaltou que “a conjuntura difícil termina sendo um fator que mobiliza a juventude para a luta”.

Para a coordenadora-geral do DCE da UFRN, Yara Costa, os/as estudantes “estão conscientes das dificuldades da conjuntura política do país”, mas ressaltou que o movimento está “preparado para enfrentar e vencer o fascismo”.

Mineiro lembrou que começou sua militância no movimento estudantil há exatos 40 anos, quando ajudou na reconstrução da União Nacional dos Estudantes (UNE) e do DCE da UFRN.

“Esse ano é um marco importante para a juventude, porque comemoramos os 50 anos do Maio de 1968, movimento que provocou muitas transformações mundiais, começando com uma onda de protestos de estudantes franceses, mas que depois se espalhou pelo mundo, inclusive o Brasil. Agora, o mundo e o nosso país passam novamente por um momento duro, com o avanço do conservadorismo. Essa não é uma luta isolada, mas sim sintonizada com a resistência a esse fascismo que tenta impor o ódio, o preconceito e a violência”, refletiu.

Mineiro afirmou que a UEE-RN, com o congresso, sairá fortalecida para “enfrentar o golpe em curso contra a educação pública no país”. Ele observou que a área é, justamente, a mais atingida pela agenda econômica coloca em prática pelo governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB), com apoio dos seus aliados do PSDB, DEM e de outros partidos da direita conservadora.

A coordenadora do DCE da UERN, Pluvia de Oliveira, disse que as maiores vítimas do desmonte em curso da educação pública são os/as estudantes pobres, negros/as e LGBT’s, que passaram a poder acessar as universidades pela primeira vez com os governos do ex-presidente Lula e da presidenta eleita Dilma Rousseff.

“Nós estamos sentindo na pele os efeitos desse desmonte da educação. A UEE-RN, além de lutar contra isso, tem que defender que nossas universidades sejam territórios livres do machismo, do racismo, do militarismo e da LGBTfobia”, declarou.

O CONUEE conta com a participação de militantes de diversos coletivos de juventude do RN, como o Levantes Popular da Juventude, Paratodos, Kizomba, JAE, JPT e UJS. A programação segue durante o sábado (14) e se encerra no domingo (15), com a plenária final que vai eleger a nova diretoria da entidade.

Fotos: Vlademir Alexandre.