O bairro das Rocas, na zona Leste de Natal, recebe neste final de semana a 6ª edição do “Jam Session”, evento voltado à disseminação da Cultura Hip Hop, com uma programação que inclui workshops, rodas de conversa sobre dança afro, batalhas de breaking e hip hop dance, organizado pelo artista Fabio Moura, dançarino do Balé Municipal de Natal.

Fabio contou que o “Jam Session Rocas” é essencialmente um evento de break dancing, estilo que surgiu na década de 60 nos EUA, mas que se espalhou rapidamente pelo mundo todo, incluindo o Brasil.

“Em Natal, o break existe há uns vinte anos, mas ainda não é muito difundido. Estamos tentando nos organizar, mas agora que [o movimento] está começando a tomar uma forma melhor, inclusive graças a esses eventos. A galera do hip hop está se ajudando”, comentou.

O break, como explicou o artista, é um dos elementos da chamada “Cultura Hip Hop”, que abrange ainda o DJ, o grafite, o beat box e os militantes do movimento. Fábio disse que um dos workshops do evento vai debater sobre o cenário hip hop em Natal.

“Vamos ter debates, inclusive, sobre a cena feminina, porque ainda existe muito machismo no nosso meio, mas estamos tentando desconstruir isso. Tem muitas mulheres entrando na cena, tentando falar, assumindo o protagonismo”, relatou.

Fabio afirmou que o evento surgiu da necessidade de popularizar o hip hop em Natal. Ele lamentou o pouco número de eventos voltados a essa cultura, principalmente devido à falta de apoio do poder público. Na opinião dele, se houvesse incentivo, a arte seria muito mais conhecida.

“Não apoio público nem projetos voltados ao hip hop. Nas escolas, por exemplo, poderia haver oficinas para ensinar às crianças os elementos dessa cultura, mas não existe nada. As crianças poderiam se ocupar com arte, dança, grafite, principalmente nas periferias, porque teria uma identificação muito grande. Ia ser muito bom se houvesse políticas públicas sobre isso, mas não temos apoio. Tentei captar apoio no setor privado, mas as portas não se abriram”, comentou.

Em relação ao preconceito, Fabio atribui ao desconhecimento das pessoas sobre o significado da Cultura Hip Hop. Ele acredita, porém, que os ativistas desse movimento deveriam dialogar mais com suas comunidades.

“As letras de rap que a população escuta, muitas vezes, são associadas à apologia ao crime, quando na verdade são um retrato de determinada realidade. É como julgar um livro pela capa. As pessoas não param para pensar nisso”, analisou.

O “Jam Session Rocas” tem início na sexta-feira (6), segue durante o sábado (7) e só termina no domingo (8). No primeiro dia, haverá workshops sobre Dança Afro (9h às 11h), Hip Hop Dance (14h às 16h) e Breaking (16h às 18h).

A programação do segundo dia começa com uma roda de conversa sobre a cultura hip hop e suas danças (10h às 12h) e continua à tarde com a batalha de Breaking 4×4 (16h às 20h30).

Já no último dia do evento acontece a batalha de Breaking 1×1 (16h às 20h). As atividades serão na sede da Federação Espírita das Rocas (Rua João de Deus). A entrada custa R$ 5,00.