No evento Senado Mulheres, com a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Fátima Bezerra defendeu que o Congresso Nacional seja mais ocupado por mulheres e falou da necessidade de renovação. “Não podemos ser sub-representadas”, ressaltou a parlamentar. O evento acontece nesta quinta-feira (17), no auditório da Assembleia Legislativa.

“Somos apenas 51 mulheres no Congresso Nacional. Somos 12 no Senado, o que corresponde a 13% apenas”, citou Fátima, acrescentando que o déficit mostra a necessidade urgente de ampliar e qualificar a participação das mulheres. “Não podemos dizer que vivemos um tempo de democracia plena, porque há 14 estados que não têm nenhuma mulher no Senado”.

Saudando a senadora Vanessa, Fátima disse que o RN é a terra do direito ao voto feminino. “Você está na terra de Nísia Floresta; do estado que elegeu a primeira mulher deputada estadual, Maria do Céu, e que elegeu a primeira prefeita em toda a América Latina, em Lajes”, ressaltou, dizendo que o RN é o estado com maior percentual de mulheres prefeitas no país.


Fátima lembrou da sua parceria em defesa da democracia com a senadora Vanessa, em defesa da presidenta Dilma e contra as reformas que retiram direitos da classe trabalhadora, como a Trabalhista e a da Previdência, e a PEC do Teto dos Gastos. “Vanessa é uma das vozes muito aguerridas em defesa da soberania, e não nos omitimos, resistimos com as mulheres e a juventude, com os que prezam pela democracia”.

Ela afirmou, ainda, que guardará na sua biografia como um momento especial da trajetória política a ocupação da mesa do Senado: um gesto de protesto e solidariedade aos que resistiam nas ruas, nas praças e nos locais de trabalho pelo país afora, denunciando o caráter nefasto das reformas.

Mulheres na luta contra o retrocesso

Para Vanessa Grazziotin, debater os direitos das mulheres é um tema “muito caro” para toda a sociedade brasileira. “Nós todas e todos precisamos chamar a atenção do povo para mudar os parâmetros de reconhecimento da mulher”, destacou. “Somos um país que precisa de uma lei como a Maria da Penha”, lamentou.

Prestando solidariedade ao ex-presidente, Vanessa mencionou que Lula foi o primeiro que olhou para os trabalhadores do país, estando hoje detido sem ter cometido um crime. “Em 15 anos, conseguimos mudar a cara do interior do Brasil, com todas as políticas que ele iniciou”, afirmou.

“De que adianta crescer o PIB, se não for pra repartir com o nosso povo do Norte e Nordeste?”, questionou. “Quando essas regiões foram tão valorizadas quanto nos governos de Lula e Dilma?”. Para Vanessa, o golpe ainda está sendo executado e os golpistas estão destruindo o patrimônio público.

Sobre a ocupação da mesa do Senado, Vanessa lembrou que o ato contra a reforma Trabalhista não teria acontecido se não fosse a persistência da senadora Fátima Bezerra. “Foi, de todas nós, a mais firme”, disse. “De todas do Senado, você é a que mais sintetiza o que é uma fortaleza”.

Participaram, ainda, do evento realizado pela Procuradoria de Mulheres do Senado: a coordenadora do Interlegis, Dalva Dutra; a coordenadora da Marcha Mundial das Mulheres, Teresa Freire; a deputada estadual Cristiane Dantas (PSB); a pró-reitora de Extensão da UFRN, Maria de Fátima Freire; a deputada estadual do Sergipe Goretti Reis (PSD); a presidente da União Brasileira de Mulheres no RN, Joana D’arc Leite, e a promotora-coordernadora do Núcleo de Apoio à Mulher Vítima da Violência Doméstica e Familiar do MP-RN, Érica Canuto, que fará palestra no evento sobre o tema da violência contra a mulher.

Texto: Gabriela Olivar | Fotos: Robson Araújo