O espelho da Natal nos anos 1940 a 1970 eram as lentes de Jaeci Emerenciano Galvão, que nos deixou nesta segunda-feira (20), aos 88 anos.

Numa época em que os jornais mal começavam a publicar fotografias locais, Jaeci acumulava um rico acervo de imagens, integrado à memória coletiva. Era ‘o divino da fotografia’, como sublinha o livro-homenagem feito pelo filho Fred Galvão.

O fotógrafo preferido da fina flor da sociedade, como diziam os colunistas sociais de antigamente, foi também um documentarista da cidade.

Ele fixou as imagens mais conhecidas de Natal e seu entorno, os primeiros sinais de verticalização, as praias e dunas que no futuro comporiam o roteiro turístico que ancora a economia de Natal.

É impossível percorrer a história daquele período crucial, em que a cidade e a população cresceram rapidamente, sem esbarrar nas fotografias p&b com a assinatura do autor — um simples ‘Jaeci’ — e a identificação da imagem em caixa alta manuscrita.

Gosto de passear por essas imagens, muitas delas tomadas de cima (um privilégio que os drones banalizaram) e transformadas em cartões postais.

É uma forma de conhecer a cidade que havia antes de mim.

De ver como o passar do tempo mudou as casas, as ruas, as praças e outros lugares de Natal.

As mudanças nem sempre (ou quase nunca) foram para melhor.

Sem as imagens de Jaeci, a gente não teria como saber disso.

Fernando Mineiro