De acordo com a nova Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE (PNAD Contínua), Natal registrou dois resultados econômicos negativos no segundo trimestre de 2017: queda no rendimento médio dos trabalhadores e aumento do índice de desemprego. A capital potiguar apresentou a terceira maior taxa de desemprego entre as capitais brasileiras, com índice de 17,3%.

O índice de Natal é superior ao da Região Metropolitana (15,8%) e ao do Estado (15,6%). No RN, ainda segundo a pesquisa, 1,29 milhão de pessoas estão ocupadas, enquanto 239 mil estão desempregadas no segundo trimestre de 2017.

O desemprego afeta, principalmente, as mulheres. Em Natal, enquanto a taxa de desocupação da população feminina ficou em 18,6%, a dos homens foi de 16,2%. Há um total de 78 mil desempregados em Natal – maior índice desde o início da série histórica em 2012.

Para o chefe da Unidade Estadual do IBGE no Rio Grande do Norte, Aldemir Freire, Natal “segue uma trajetória de forte crescimento do desemprego”. “A população sofre com a queda na renda e o aumento do desemprego. Isso, por exemplo, é visível no aumento dos pedintes e ‘artistas’ nos semáforos, bem como no número de estabelecimentos comerciais fechados na cidade”, comentou.

O deputado estadual Fernando Mineiro (PT) afirmou que os dados negativos são “reflexos do aprofundamento da política de austeridade do governo ilegítimo de Michel Temer”.

“Num Estado tão dependente da renda pública, como é o caso do Rio Grande do Norte, esses efeitos são sentidos com mais força. A tendência é que a situação continue piorando, uma vez que o governo anunciou o aumento do rombo fiscal como pretexto para congelar salários, cortar investimentos e reduz os gastos sociais”, analisou.

Queda na Renda

A renda média das pessoas que estão no mercado de trabalho, no período analisado pela pesquisa, caiu de R$ 2.705,00 para R$ 2.242,00.

Já a massa de rendimento real efetivamente recebida por esses trabalhadores recuou 14,1%, passando de R$ 2,3 bilhões para R$ 1,98 bilhão.

“Isso explica por que o varejo restrito e o setor de serviços tiveram queda no segundo trimestre do ano em relação ao primeiro”, acrescentou Aldemir Freire.

Foto: Vlademir Alexandre.