A desigualdade de raça e de gênero no mercado de trabalho persiste no Brasil. É o que revelam os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quarta-feira (5), com base nas informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad).

De acordo com o levantamento, um trabalhador branco recebeu em média 72,5% a mais do que um profissional negro em 2017. Enquanto o primeiro teve rendimento médio de R$ 2.615 no ano passado, o segundo recebeu R$ 1.516.

Na comparação entre gêneros, enquanto homens tiveram rendimento médio de R$ 2.261 em 2017, mulheres receberam R$ 1.714, o que representa uma desigualdade de 27,9%.

O IBGE revelou, ainda, que essa desigualdade também se manifesta no universo dos desempregados. Em 2017, o índice de desemprego subiu para 12,5%. Era de 6,9% em 2014. Isso significa que, atualmente, 13,1 milhões de brasileiros com idade para trabalhar estão sem ocupação remunerada.

Historicamente, o desemprego sempre foi maior entre negros do que entre brancos. No ano passado, porém, essa desigualdade atingiu sua maior diferença. Na população negra, 14,7% da força de trabalho estava desocupada em 2017. Entre os brancos, o índice foi de 10%.

Quando o recorte é de gênero, a desigualdade também persiste. Enquanto 14,6% das mulheres em idade para trabalhar estavam desempregadas em 2017, entre os homens o percentual foi de 10,9%.

Distribuição de renda

O mesmo estudo do IBGE mostrou que outro dado persistente é a desigualdade na distribuição de renda no Brasil. Enquanto os 10% mais ricos receberam R$ 6.629 em 2017, a parcela dos mais pobres sobreviveu recebendo R$ 376. Os privilegiados concentram 43,1% da renda do país.

Na média nacional, os mais ricos tiveram rendimentos 17,6 vezes superiores que os mais pobres. O Nordeste, comparativamente, é onde se registra a maior desigualdade de renda, com os 10% mais ricos ganhando 20,6 vezes mais que os 40% mais pobres em 2017.

O Rio Grande do Norte é o estado nordestino que registrou a menor desigualdade de renda no ano passado. Os potiguares que integram a parcela dos 10% mais ricos receberam rendimentos 16,4 vezes maiores que os mais pobres (R$ 4.199 x R$ 255).

Foto: Agência Brasil.