Depois de Natal, Macaíba e São Gonçalo do Amarante fundaram na última quinta-feira (4) seus comitês populares em defesa da democracia e do direito à candidatura do ex-presidente Lula. Os atos contaram com a participação de militantes do PT, PC do B e PDT, além de ativistas de movimentos sociais, comunitários e agrários.

Nas duas cidades, as pessoas demonstraram a mesma percepção sobre o processo envolvendo o ex-presidente Lula: trata-se de um julgamento político, cujo objetivo é impedir uma eventual candidatura dele em 2018.

Para o deputado estadual Fernando Mineiro (PT), presente aos dois atos, além de cassar a candidatura de Lula, os setores conservadores desejam assegurar que, com a saída dele da disputa eleitoral, a agenda econômica implantada “pós-golpe” tenha continuidade.

“As pessoas começaram a se tocar que o que está acontecendo é uma perseguição ao PT e ao Lula. Querem impedir ele de voltar para não fazer o que ele já fez pelo Brasil”, declarou Mineiro em São Gonçalo.

O vice-prefeito de São Gonçalo, Eraldo Paiva, reforçou que o julgamento de Lula, antecipado pelo TRF da 4ª Região para o próximo dia 24 em Porto Alegre (RS), “é um processo político, sem provas, para tentar impedir a candidatura de Lula em 2018”.

“Esse comitê é uma forma de resistência a essa segunda etapa do golpe, que começou com a derrubada da presidenta Dilma. São Gonçalo conhece bem os legados dos governos Lula e Dilma. É com esse legado que eles querem destruir”, disse.

O universitário Lino Artur afirmou que “está muito evidente que esse julgamento é uma farsa, baseada em questões políticas, não jurídicas”. “As pessoas perceberam essa perseguição e estão dando a liderança nas pesquisas a Lula. Enquanto contra outros sobram provas, não existe nada contra Lula”, completou.

Mineiro ressaltou que o julgamento do dia 24, mesmo tendo um “resultado previsível”, não é “o fim da luta, mas uma nova etapa dela”.

“Precisamos ter uma ação mais organizada em defesa do Lula, procurar outras pessoas, atrair outros setores. Vamos multiplicar os comitês populares, criar o espírito de ir para as ruas em defesa do Lula, para diminuir a pressão contra ele, porque, depois do julgamento, começa uma nova fase da perseguição”, advertiu.

No final da reunião em São Gonçalo, foi encaminhada a criação dos comitês da juventude (ainda sem data), das mulheres no dia 18 e do Amarante no dia 19.

Resistir

Já em Macaíba, Mineiro lembrou que Lula “tem nos apontado o caminho da resistência, sem baixar a cabeça”. “O ato mais rebelde que podemos fazer nos dias de hoje é ficar de pé, porque o que eles querem é que a gente desista”, observou.

Para o professor João Marques, o comitê “só vai funcionar articulado com o movimento popular democrático”.

“Esse comitê tem que ser conduzido pelos partidos progressistas, pelos conselhos, pelas associações e pelos movimentos populares. Não pode se resumir à tarefa eleitoral, mas sim se organizar a partir da luta”, pregou.

Os participantes do ato em Macaíba definiram pela fundação do comitê na comunidade de Taparé no dia 12 e pela realização de panfletagem na feira da cidade no dia 13.