Em um ato marcado pelo clima de comoção, indignação e solidariedade, centenas de pessoas, em sua maioria mulheres, protestaram na noite desta quinta-feira (15) em Natal contra o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, ocorrido ontem (14) na região central do Rio de Janeiro. Ativistas sociais, militantes de partidos de esquerda e integrantes de coletivos feministas, movimentos negros e frentes populares se revezaram nos discursos que, em comum, clamavam por justiça.

O ato teve início em frente à sede do PSOL na Cidade Alta, de onde seguiu pelas principais vias do Centro de Natal e terminou com uma manifestação em frente à Praça Pedro Velho, no bairro de Petrópolis. Durante o trajeto, as pessoas carregavam velas acesas, cartazes e faixas denunciando a violência contra as mulheres pobres, negras e periféricas.

A secretária de Mulheres do PT-RN, Divaneide Basílio, classificou a situação como “um momento de muita dor”. “Não é sempre que temos uma militante como Marielle, que saiu da periferia, mas nunca deixou de defender a periferia, o povo negro e as minorias”, registrou.

Para Divaneide, o assassinato de Marielle tem a ver com “um debate de classe, de raça e de gênero”. “Da mesma forma que os jovens negros são exterminados diariamente na periferia, assassinam as mulheres que ocupam espaços historicamente às negras no Brasil. Mas vamos resistir, denunciar e exigir em todas as instâncias que o crime seja investigado”, completou.

Giselma Omilê, integrante do Movimento Kilombo, chamou a atenção para “a violência cotidiana do machismo contra as mulheres negras no país”. “A execução da Marielle traz à tona a representação do dia a dia da população negra no país, em especial das mulheres periféricas. É uma situação de extrema violência imposta pelo machismo”, refletiu.

Ela lembrou que Marielle “não se calou diante dessa situação”. “Temos uma arma apontada para nossas cabeças o tempo todo, esperando que a qualquer momento o gatilho seja apertado. Que a morte de Marielle sirva para nos impulsar a seguir lutando contra o feminicídio contra as mulheres negras”, defendeu.

O deputado estadual Fernando Mineiro (PT), presente ao ato, disse que é preciso reafirmar que a execução de Marielle e Anderson “é fruto da intervenção militar no Rio de Janeiro”. “A intervenção, por sua vez, é fruto do golpe, que é o resultado da intolerância, do ódio e da reação das forças mais conservadoras, retrógradas e reacionárias que atacam as conquistas do povo brasileiro”.

Marielle havia sido escolhida relatora da comissão que acompanharia a intervenção militar no Rio de Janeiro. Mineiro lembrou que a vereadora havia denunciado a violência de policiais militares durante uma ação no último domingo (11) contra jovens negros da Favela do Acari.

“A execução de Marielle é a execução de milhares de negras, negros e jovens das periferias do país. Precisamos assumir o compromisso de enfrentar o retrocesso e o fascismo que estão instaurados no Brasil”, alertou.

Fotos: Vlademir Alexandre.