A crise dos combustíveis no Brasil, agravada com a greve dos caminhoneiros, era um problema anunciado. A afirmação foi feita pelo deputado estadual Fernando Mineiro (PT), em pronunciamento nesta terça-feira (29) na Assembleia Legislativa. Para ele, o estopim foi a mudança na política de formação dos preços da Petrobras, adotada a partir do início do governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB).

“A Petrobras, após o golpe que cassou a presidenta Dilma Rousseff, se tornou o principal alvo da ganância dos privatistas, com a cumplicidade da maioria da bancada federal do Rio Grande do Norte. Esse roteiro estava anunciado desde o lançamento do documento ‘A Ponte para o Futuro’ pelo PMDB em novembro de 2015”, comentou.

De acordo com Mineiro, o documento previa, antes mesmo do sucesso do golpe, medidas como a privatização da Petrobras, PEC do Teto dos Gastos e as reformas da Previdência e das Leis Trabalhistas.

“Esse enredo”, continuou, “havia sido anunciado pelo [senador] Romero Jucá, que defendeu que era preciso afastar a Dilma e fazer um acordo até com o Supremo [Tribunal Federal]”.

Na opinião de Mineiro, a crise dos combustíveis tem a ver diretamente com esse contexto, porque é resultado da nova política econômica colocada em prática pelo consórcio do PMDB, PSDB e DEM.

“As ações da Petrobras foram largamente privatizadas, o pré-sal foi entregue às petroleiras multinacionais e muitas refinarias foram fechadas, aumentando o custo da importação do combustível industrializado para o nosso país”, ponderou.

Mineiro ressaltou que as medidas anunciadas para tentar acabar com a crise, como a extinção da alíquota da Cide sobre o diesel e a mudança no cálculo do ICMS, terão impactos negativos sobre a arrecadação dos estados e municípios.

Foto: João Gilberto/AL-RN.