Na Câmara Municipal de Natal, o deputado estadual Fernando Mineiro (PT) voltou a defender os investimentos da Petrobras no RN e reafirmou o papel da empresa no desenvolvimento do estado nas últimas décadas. A audiência pública, de iniciativa da vereadora Natália Bonavides (PT), aconteceu na manhã desta sexta-feira (15) e contou também com a presença da senadora Fátima Bezerra (PT-RN) e representantes de entidades ligadas a petroleiros no RN.

Mineiro lembrou que a Petrobras, pelo porte que tem, é atacada desde o seu nascimento. “Precisamos contextualizar o que está em disputa, que é o modelo de desenvolvimento do estado e do país, e a questão mundial envolvendo o interesse em petróleo e gás”, alertou. “Temos a árdua tarefa de disputar a opinião pública em defesa da estatal”.

O deputado lembrou que os investimentos lançados sobre a Petrobras no RN nos últimos anos alavancaram o desenvolvimento do estado, mostrando que o que está em jogo não é simplesmente uma questão corporativista. “A ficha dos empresários que apoiaram a entrega dos campos maduros está caindo, eles estão vendo que não beneficiará os empresários e produtores locais”, disse.

Citando o documento Uma Ponte para o Futuro, lançado em 2015 pelo PMDB, Mineiro mostrou que a ideia do governo golpista em entregar as riquezas brasileiras já estava prevista antes do impeachment. A página 18 diz que é fundamental, para o país, “executar uma política de desenvolvimento centrada na iniciativa privada, por meio de transferências de ativos que se fizerem necessárias, concessões amplas em todas as áreas de logística e infraestrutura, parcerias para complementar a oferta de serviços públicos e retorno a regime anterior de concessões na área de petróleo, dando-se a Petrobras o direito de preferência”.

Por fim, Mineiro destacou que a exploração na área de mar também preocupa, não apenas a entrega dos campos maduros. “Em que serão aplicados os recursos das nossas riquezas, em políticas de desenvolvimento para o povo? Ou servirão para encher os cofres dos empresários?”, questionou.

O petróleo é nosso

Para o secretário geral do Sindicato dos Petroleiros do RN (Sindipetro/RN), Pedro Lucio Góes, o processo de privatização da Petrobras foi acelerado com o impeachment de Dilma Rousseff, e em 2016 houve a menor arrecadação de royalties da estatal no RN (2017 tende a ser pior). “A Petrobras é completamente integrada, portanto não faz sentido fragmentar a bacia potiguar”, destacou. “Precisamos sim retomar os investimentos, criar uma frente ampla em defesa da empresa”.

O representante da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Jailson Morais, reiterou que há um forte ataque à Petrobras, em um contexto internacional, citando o exemplo da entrega dos campos do pré-sal e da queda do preço dos barris. “Queremos uma Petrobras do poço ao poste, integrada, produzindo energia, por isso clamamos aos movimentos sociais que se unam a nós nessa luta”, disse.

Também participaram da mesa da audiência os representantes da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Ricardo Pinheiro, e da Associação Profissional dos Geólogos do RN (Agern), Élvis Roberto.