Em entrevista ao programa “Meio Dia Cidade” (94 FM), nesta segunda-feira (14), o deputado estadual Fernando Mineiro (PT) comentou sobre o acirramento político no país, criticou o clima de intolerância e alertou que “a derrota da política é uma tragédia para o Brasil”. Ele disse considerar normal a manifestação de parcelas da sociedade insatisfeitas com o governo da presidenta Dilma Rousseff (PT), mas ponderou que “esse autoritarismo contra quem pensa diferente de você é uma coisa assustadora”.

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Mineiro destacou que a reação de alguns setores à presença de políticos da oposição nas manifestações de domingo (13) demonstra a que nível chegou a intolerância. “O [governador Geraldo] Alckmin [PSDB], o [senador] Aécio Neves [PSDB] e a [senadora] Marta Suplicy [PMDB], que era do meu partido, foram vaiados e escorraçados ontem da manifestação em São Paulo. Tem quem comemore, mas não acho isso bom. Uma coisa é a disputa política, outra é a intolerância. Não podemos deixar que a intolerância prevaleça no Brasil”, argumentou.

A hostilidade dos manifestantes aos oposicionistas que apoiaram, estimularam e convocaram os protestos, na opinião do deputado, remete ao cenário pré-golpe militar de 1964.  “Naquele ano, algumas pessoas que apoiaram o golpe, como o [jornalista e então deputado federal] Carlos Lacerda, foram cassados depois pelos ditadores”, lembrou.

Para Mineiro, o acirramento político vivido no país, ainda fruto dos resquícios da eleição de 2014, tem provocado uma “polarização de extremos”. De um lado, estão os setores antipetistas, que tentam culpabilizar o partido, o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma. Do outro, os que defendem as conquistas e os avanços sociais dos últimos anos.

“Esses dois extremos são minoritários na sociedade. A grande maioria da população está indiferente a esses setores. O problema é que essa maioria silenciosa às vezes vai a reboque”, analisou.

Mineiro voltou a enfatizar que “a derrota da política é a pior coisa que pode acontecer para a sociedade, porque termina no autoritarismo e no fascismo”. Ele ressaltou que a crise econômica no país é alimentada pela crise política, que impede qualquer tentativa de buscar saídas para a economia.

Ele disse que os protestos realizados em diversas cidades contra o governo federal aconteceram “dentro do esperado”. “As manifestações foram alimentadas pela condução coercitiva e pelo pedido de prisão preventiva do ex-presidente Lula”, avaliou.

Em relação à ofensiva do Ministério Público de SP contra Lula, Mineiro lembrou que a ação foi criticada por quase toda a classe jurídica brasileira, além de veículos da imprensa que, notadamente, não nutrem nenhuma simpatia pelo PT. A Folha de São Paulo, por exemplo, classificou o episódio como “patetice” dos promotores paulistas.

Mineiro disse que há setores do Ministério Público que “têm clara atitude política”. “O Ministério Público é uma conquista importante do Estado, mas não podemos aceitar que se vista a camisa partidária. Um dos promotores, inclusive, tem fotos nas manifestações. A sociedade começa a perceber os dois pesos e duas medidas”, comentou.

O deputado admitiu que o PT cometeu falhas, mas frisou que “os acertos foram muito maiores, principalmente na questão da distribuição de renda”. Para Mineiro, “o erro fundamental do partido foi não ter avançado na reforma política”.

“Temos esse presidencialismo de coalizão, em que nenhum partido tem maioria. Esse modelo está falido. Foi um erro do PT, que acabou, sim, fazendo coisas erradas, como o Caixa 2. Mas por que sempre só o PT paga o preço?”, questionou.

Mineiro reiterou que não existe justificativa legal para o pedido de impeachment de Dilma, acusou setores da oposição de tentar inviabilizar uma saída para a crise econômica e apontou que “a imprensa é incentivadora do golpe”.

“O editorial de hoje do Estadão tem o mesmo título usado pelo Correio da Manhã em março de 1964: ‘Basta’. Eu não digo que a imprensa tem poder de dar o golpe, mas, assim como no passado, ela é incentivadora do golpe”, observou.