O retrocesso na reforma agrária e a violência no campo serão os temas debatidos na próxima terça-feira, 13, em audiência pública na Assembleia Legislativa, através da iniciativa do deputado estadual Fernando Mineiro (PT). De acordo com informações do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), não houve assentamento de nenhuma família no Brasil em 2017, comprovando que a reforma agrária simplesmente parou durante o governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB).

Em 2016, já havia sido registrada uma queda acentuada no número de famílias assentadas no país. Naquele ano, 1.686 famílias apenas foram assentadas, contra 26.335 em 2015, o que representa um recuo de 64%.

Além da paralisação da reforma agrária, os casos de violência no campo têm aumento no país e no Rio Grande do Norte. No último dia 23 de fevereiro, as famílias do acampamento Independência Camponesa, organizado pelo MST, localizado às margens da barragem de Tabatinga (Macaíba), foram vítimas de um atentado cometido por homens armados, que chegaram à noite atirando para amedrontar e expulsar os/as acampados/as.

Mineiro afirmou que “a história do nosso país é marcada pela violência, principalmente contra quem luta pela posse da terra”. Ele se solidarizou com as famílias do acampamento em Macaíba, exigiu que a violência seja investigada e disse que os/as assentados/as “lutam por uma coisa justa, que é o direito à terra”.

De acordo com a diretora nacional do MST no RN, Vanusa de Macedo, a situação da reforma agrária no RN não é diferente da do restante do Brasil. Ela disse que, aqui, há famílias que estão há mais de dez anos vivendo em barracas enquanto esperam serem assentadas.

“Temos acampamentos que estão aí há mais de dez anos, com famílias vivendo em barracas, sem nenhuma assistência nem segurança. Alguns obtiveram a desapropriação das terras, mas a situação não andou, porque não liberaram os recursos das casas”, relatou.

Vanusa disse que essa situação “é reflexo do retrocesso iniciado pelo governo golpista de Michel Temer”. Para ela, “quem está no campo sofre ainda mais com essa situação que atinge toda a classe trabalhadora”.

A coordenadora nacional do MST alertou, ainda, para a questão da violência no campo. Ela afirmou que o governo estadual “não respondeu às demandas do movimento em relação à pauta da segurança das famílias acampadas”. Vanusa denunciou que, em muitos locais, os/as assentados/as são vítimas da ação truculenta da Polícia Militar, que realizam despejos violentos sem aviso prévio.