O deputado estadual Fernando Mineiro (PT) relatou, na sessão desta terça-feira (14), sua indignação e se solidarizou com os/as servidores/as estaduais que protestaram em frente à Governadoria ontem (13). Os/as trabalhadores/as foram recebidos com spray de pimenta, e o Governo do Estado se recusou a dialogar.

O parlamentar classificou como “absurdo” o Executivo ter se negado a conversar com a comitiva de servidores/as da Saúde e da Universidade do Estado do RN (Uern), que chegaram a passar a noite inteira ao relento, no Centro Administrativo. Mineiro foi ao local e tentou intermediar uma audiência com a chefe de Gabinete, Tatiana Mendes Cunha, mas foi em vão.

“Os servidores tentaram conversar para obter informações concretas sobre seus pagamentos, diante do caos instalado no Estado”, disse o deputado. “O Governo simplesmente não tem respostas, e a situação dos trabalhadores é de desespero, principalmente dos que ganham menos e não têm outra fonte de renda”, destacou.

Mineiro relatou que contas atrasadas e dificuldade em fazer a feira e até se deslocar ao trabalho são realidade para muitos/as servidores/as estaduais. “Se alguém acha que eles estão radicalizando, é preciso entender a radicalização que o Executivo está fazendo”, afirmou. “Quer radicalização maior do que não conseguir colocar comida em casa ou deixar de ter assistência médica por atraso no pagamento do plano de saúde?”, questionou.

Crise no Estado

Mineiro também discordou publicamente da ação que o Ministério Público Estadual (MP-RN), Tribunal de Justiça do RN (TJ-RN), Assembleia Legislativa e Tribunal de Contas do Estado (TCE) moveram contra o Governo, pelo repasse do doudécimo. “Esse não é o caminho, mas sim uma repactuação entre os Poderes”, afirmou. “Não dá pra achar que só os servidores do Executivo devem pagar a conta”.

Para Mineiro, a judicialização não é o caminho. “Do que resolve mandar prender a diretora do Hospital Walfredo Gurgel?”, perguntou. “Qual a responsabilidade dela, que sequer conheço, se as UTIs estão cheias e sem condições de receber mais pacientes?”. Para o deputado, há uma “total inversão das coisas” e os mais desprotegidos, que são os servidores, é que pagam a conta.

“O Estado não está assim por determinação do destino, e é preciso enfrentar a crise de maneira conjunta, combatendo a sonegação, vendo a questão das isenções, repactuando responsabilidades entre os Poderes”, avaliou. “Um estado tão dependente da renda dos servidores como o nosso acaba vendo uma reação em cadeia devastadora na economia”, lamentou.

Foto: Aduern