Morreu na madrugada desta quarta-feira (9), em decorrência de complicações gástricas, o maestro João Batista Ferreira, uma referência na formação de jovens músicos e de bandas filarmônicas no interior do estado. Ele tinha 83 anos de idade, era músico desde os 8 e mestre de bandas desde os 17. Morava em Luís Gomes, na região Oeste, e dirigia a banda local e a de Água Nova, criada por ele no ano passado, no âmbito do projeto Bandas Filarmônicas da Juventude, que faz parte do Programa Governo Cidadão, realizado pelo Governo do RN com o Banco Mundial. “Era um homem sábio, cordato, bem-humorado, sedutor. Ótimo professor de música, um verdadeiro mestre, conselheiro e zeloso com os amigos. São imensuráveis as qualidades do mestre. Sua morte nos deixa um vazio profundo”, lamentou o maestro Bembem Dantas, que dirige a Filarmônica de Cruzeta, uma das mais importantes do RN.

Bembem destaca que mestre Batista estava na vanguarda do movimento que resultou na criação do Sistema Estadual de Bandas de Música (SEBAM/RN), uma ideia encampada pelo deputado estadual Fernando Mineiro (PT-RN), autor do projeto de lei discutido com o setor em audiência pública e outros foruns de debates. O projeto foi aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa, em 2011, mas, vetado pela então governadora Rosalba Ciarlini. O veto foi derrubado pelos deputados em 2013 e a lei, depois de regulamentada, entrou em vigor em maio de 2014. É o primeiro conjunto de políticas públicas para o setor que promove a iniciação musical de crianças, a formação profissional de jovens e o fortalecimento da cultura no interior do RN.

“As bandas cumprem um papel muito importante nos municípios, oferecendo arte e cultura à população, mas também promovendo a inclusão social, por meio do ensino e da profissionalização. Agora é preciso tirar a lei do papel”, afirmou Fernando Mineiro. O deputado lamentou a morte do mestre Batista, homenageado (foto) com a Medalha do Mérito Cultural da Assembleia Legislativa por proposição dele.

A lei do SEBAM/RN destina 5% dos recursos do Fundo Estadual de Cultura, já criado mas ainda à espera de regulamentação para funcionar na prática, ao financiamento de políticas públicas para o setor. Para dimensionar a importância do Sistema, o maestro Bembem acentua que o RN tem 145 bandas filarmônicas, várias delas inativas por descaso do poder público ou por inépcia das associações que as dirigem. “Mas temos mais cem bandas em funcionamento, com escolas de formação organizadas”, acrescenta. “O SEBAM só não saiu integralmente do papel porque o governo anterior não conseguiu ou não teve vontade política para isso”.

O movimento de bandas aposta na reversão desse quadro durante o governo de Fátima Bezerra, para que o SEBAM/RN ganhe novo impulso. O otimismo alcança também o projeto Bandas Filarmônicas da Juventude, do qual Bembem e o mestre Batista participavam intensamente. O projeto está na terceira fase, com a criação de 39 bandas. Uma das ideias do movimento é aproveitar a presença de Fernando Mineiro no novo governo a partir de fevereiro, como secretário de Gestão de Projetos e Articulação Institucional (o que inclui o Governo Cidadão), para acelerar a implantação de fato do SEBAM/RN e para rediscutir o projeto das Filarmônicas, em parceria com a Fundação José Augusto, dirigida pelo secretário extraordinário de Cultura Crispiniano Neto. “Com Mineiro e Crispiniano, estamos empolgados e confiantes que teremos o apoio que nos faltou no último governo”, acredita Bembem.