A Frente Brasil Popular (FBP) e as principais centrais sindicais do país decidiram manter a mobilização nacional, marcada para amanhã, 5, contra a proposta de reforma previdenciária defendida pelo governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB), com apoio dos seus aliados do DEM e do PSDB. Em Natal, o ato terá concentração a partir das 15h, em frente à sede do INSS em Natal (Rua Apodi, no bairro de Cidade Alta).

O ato, além da FBP, está sendo convocada pela CUT, CTB, CSB, CGTB, CSP-Conlutas, Intersindical e Nova Central. A mobilização nacional em defesa da aposentadoria foi mantida porque, no entendimento dos dirigentes das centrais e dos movimentos sociais, é preciso continuar em estado de vigilância contra as manobras de Temer.

Para o deputado estadual Fernando Mineiro (PT), “é preciso combinar a pressão social, através das mobilizações nas ruas e redes sociais, com a pressão e o convencimento junto à bancada federal do Rio Grande do Norte”.

O presidente estadual do PT, Júnior Souto, também defendeu a mobilização da classe trabalhadora para barrar, definitivamente, a reforma previdenciária. Na opinião dele, “os trabalhadores não podem dar trégua” ao governo Temer.

“Temer está tentando articular de todas as maneiras para assegurar a votação da Reforma da Previdência. A última estratégia foi o fatiamento do projeto, mas essa manobra, novamente, se revelou uma imensa farsa. Uma análise mais cuidadosa do projeto comprova que o governo não aliviou em nada com a nova proposta”, avaliou.

Para o dirigente petista, os efeitos do novo projeto da reforma “continuam intensos, principalmente contra as mulheres e os trabalhadores rurais”. Júnior defendeu, ainda, a necessidade de reorganização do movimento sindical com vistas à convocação de uma nova greve geral.

Mulheres contra PEC 181 e Reforma da Previdência

Nesse mesmo dia, antes do ato contra a reforma da aposentadoria, mulheres de diversos coletivos feministas se reúnem na Praça André de Albuquerque, a partir das 13h, para acompanhar a votação na Comissão Especial da Câmara dos Deputados do relatório da Proposta de Emenda à Constituição 181/15.

A PEC 181 criminaliza o aborto até em situações atualmente previstas em lei, como em casos de estupro. O texto principal foi votado no último dia 8 de novembro e, originalmente, previa apenas a ampliação do tempo da licença maternidade para mães de filhos prematuros.

A proibição a todas as formas de aborto foi um destaque apresentado pela bancada fundamentalista. Para a secretária de Mulheres do PT-RN, Divaneide Basílio, o ato desta terça-feira simboliza a “resistência diante dessa tentativa conservadora de atacar direitos das mulheres”.

“O avanço do conservadorismo, como vemos no caso dessa PEC, representa um risco à vida das mulheres. Mas não vamos aceitar que uma comissão com 18 homens decida sobre a vida de todas as mulheres do Brasil”, protestou.

A vigília das mulheres vai acontecer simultaneamente em todo o país. Depois da votação, elas seguirão para se somar à mobilização contra a Reforma da Previdência. “A luta, amanhã, será em dose dupla: pela vida das mulheres e pelo nosso direito à aposentadoria”, acrescentou Divaneide Basílio.