De acordo com o IBGE, o rendimento médio de pretos e pardos equivale a 64,7% da renda mensal da população branca no Rio Grande do Norte. No país, negros recebem, em média, 55,5% do rendimento dos brancos. Os dados são referentes ao terceiro trimestre de 2017.

Além disso, a taxa de desemprego entre pretos e pardos é maior que o índice de desocupação entre a população branca no RN. Entre os negros, 14,6% estão em busca de trabalho. Já entre os brancos, o número é de 12,2%.

Considerando, novamente, o contexto nacional, 63,7% da população acima de 14 anos em busca de emprego são de pretos e pardos, ainda segundo o IBGE. Na média nacional, o desemprego no período estudado ficou em 12,4%.

O RN registou queda na taxa de desocupação nesse período, passando de 15,6% para 13,7%. É o segundo trimestre seguido de diminuição do número de desempregados no estado.

Para o economista Aldemir Freire, diretor do escritório do IBGE no RN, a diferença no rendimento médio entre negros e brancos se explica, basicamente, em razão da dificuldade persistente de ascensão social da população negra no Brasil.

“Em geral, negros estão em ocupações que pagam menos, como os trabalhos domésticos, a agropecuária e a construção civil. Além disso, existe o problema do racismo estrutural no país. Você dificilmente vê negros ocupando cargos de direção, seja no setor público ou no privado. Devido à nossa tradição escravocrata, negros ainda têm muita dificuldade de ascender socialmente no Brasil”, comentou.

Para Aldemir, um caminho para corrigir essa desigualdade é através da adoção de políticas afirmativas, como as cotas nas universidades públicas. “Naturalmente, você não consegue acabar com essa distância social e econômica. Para romper com essa tradição de desigualdade, precisamos dessas políticas, principalmente na área da educação”, opinou.

Foto: Vlademir Alexandre.