De acordo com dados do IBGE, divulgados nesta quarta-feira, 29, a massa do rendimento médio mensal do RN foi de R$ 3,2 bilhões em 2016. No estado, 10% da população com maiores rendimentos detinham 46% dessa massa, enquanto os 50% mais pobres possuíam apenas 17%.

A desigualdade nos rendimentos é atestada, ainda, por outro dado do mesmo estudo do IBGE. Enquanto o 1% com maiores rendimentos do trabalho recebe mensalmente cerca de R$ 22 mil, os 10% com menores rendimentos recebem apenas R$ 95.

“A relação é 232,5 para 1. Isso significa que os 10% mais pobres precisam trabalhar quase 20 anos para receber o salário de um mês desse grupo de 1% com maiores rendimentos”, comentou o economista-chefe do IBGE-RN, Aldemir Freire.

Esse grupo de 1% melhor remunerado, ainda segundo os dados do IBGE, detém 14,1% de todos os rendimentos do trabalho no RN. É uma fatia maior do que aquela recebida pelos 40% da população com as menores remunerações, que somam 11,6%.

Fazendo uma analogia para explicar melhor o tamanho dessa desigualdade, caso tivéssemos 100 pessoas trabalhando e precisássemos distribuir entre elas R$ 100,00, uma única pessoa ganharia R$ 14,00, enquanto cada uma das outras 99 receberia apenas R$ 0,86.

“O principal aspecto revelado pelo IBGE é a questão da forte e persistente desigualdade no país e no estado. Mesmo com os avanços da época dos governos do PT, a desigualdade segue sendo um dos principais males da sociedade brasileira”, avaliou Aldemir Freire.

Além da desigualdade de rendimentos, citada anteriormente, o estudo revela que ainda persistem outras formas de desigualdades, como as de gênero, raça/cor, educação e territórios.

Para se ter uma ideia, enquanto o rendimento médio dos homens é de R$ 1770,00, o das mulheres é de R$ 1.515.00. Quando levamos em conta o critério da cor/raça, a desigualdade é ainda maior. O rendimento médio da população branca é de R$ 2.025,00, enquanto de pretos e pardos é, respectivamente, de R$ 1.375,00 e R$ 1.432,00.