De uma imersão que reuniu nove mulheres pensando o que é ser mulher nos dias atuais, com muita opressão, machismo e violência, surgiu a videoarte A Mulher e o Fim do Mundo. O resultado do trabalho dessas artistas que compõem o cenário potiguar pode ser visto neste sábado (11), gratuitamente, no Cinépolis Natal Shopping, a partir das 10h30 – os ingressos serão distribuídos às 10h.

Edzita SigoViva, Elisa Elsie, Lara Ovídio, Luisa Medeiros, Mariana do Vale, Rafaela Bernardazzi, renatamar, Rita Cavassana e Sarah Wollermann abordam questões femininas como o espaço ocupado pela mulher na sociedade, o poder da escrita, o feminicídio, a amamentação, a menstruação, o corpo e a casa.

Proposta pelo Duas Estúdio, escritório e escola de fotografia das fotógrafas Elisa Elsie e Mariana do Vale, e contando com o patrocínio do Sebrae/RN, a videoarte foi produzida durante a imersão artística que aconteceu no mês passado, na Lagoa do Bomfim, em Nísia Floresta (RN), durante três dias.

“A Mulher e o Fim do Mundo foi uma experiência artística de coletividade, produção feminina e experimentação”, define Elisa. Ela acrescenta que a discussão proposta pelo filme não poderia vir num momento mais oportuno, diante de tudo que acontece no Brasil envolvendo a temática feminina e os ataques constantes às mulheres.

“É um período no qual queimam boneca de pensadora feminista, o feminicídio cresce cada vez mais e o Congresso ainda aprova PEC que impedirá o aborto para vítimas de estupro”, ressalta a artista. “São dias difíceis, nos quais ser mulher, manter-se viva e produzir artisticamente é um desafio igual – ou até maior – que enfrentar o fim do mundo”.

Mulheres artistas

Questionada sobre fazer arte sendo mulher e fazer arte no RN, Elisa afirmou que as artistas femininas ainda são minoria em espaços culturais, sobretudo em posições de poder. “As mulheres são 85% dos ingressantes nos cursos de arte no Brasil e menos de 15% nas galerias”, diz. “É mais difícil para uma mulher ser reconhecida no meio artístico”.

Sobre os editais de incentivo à cultura para artistas em geral aqui no estado, Elisa classifica como “super escassos”, com verba insuficiente. “Para citar um exemplo, o único edital de ocupação de galeria onde o artista recebe por isso é o do Sesc”, explica. “É quase impossível um artista aqui viver só de editais”.

Ela avalia, ainda, que as leis de incentivo têm índice de captação muito baixo. “Muitas empresas desconhecem ou ignoram que o ISS pode ser revertido para projetos culturais”, lamenta. “É desafiador fazer arte em Natal, e o cenário artístico da cidade ainda é muito novo, mesmo com artistas consolidados”.

Fotos: Divulgação