O mês de setembro superou a marca de agosto e se tornou o mais violento da história do Rio Grande do Norte. Foram 228 homicídios dos 1875 já registrados neste ano pelo Observatório da Violência Letal Intencional no RN (Obvio). O 15º Boletim Mensal, divulgado nesta terça-feira (03), destaca também o crescimento do número de chacinas no estado. Durante esses nove meses, foram doze massacres, dos quais três ocorreram em setembro. Em 2016 e 2015 registraram-se dois, respectivamente.

O perfil das vítimas das chacinas segue o mesmo dos demais homicídios: homens, jovens, pardos e negros, moradores de periferias e com baixa escolaridade e renda. Para o Obvio, a indiferença dos Poderes e da própria sociedade, que alimentam como justificativa das mortes o “envolvimento no tráfico, etc”, contribuem para esse crescimento. “As chacinas são apenas o agravamento do quadro de insegurança e de vulnerabilidade a que são submetidos essa parcela da população”.

Com exceção da primeira e mais brutal chacina, ocorrida em Alcaçuz (Nísia Floresta) em janeiro, que vitimou 26 pessoas (dados até agora verificados), as demais ocorreram em zonas rurais ou periferias urbanas e utilizaram arma de fogo como instrumento de violência.


O relatório concluiu, ainda, que é perceptível que a ausência do Estado como protagonista real da segurança pública tem sido o maior responsável pela crescente elevação em eventos criminais de todos os tipos no RN. Propiciando, dessa forma, “o ‘lugar perfeito’ para o acontecimento do fenômeno de ocupação desses espaços ociosos, onde os criminosos passam a determinar como a realidade cotidiana deve ser percebida pela população dos bairros e outros locais onde prevalece o domínio dos criminosos, adaptando-a ao seu sistema próprio de valores”.

DADOS DE 2017
O Obvio já registrou, de janeiro a setembro deste ano, 1875 homicídios no RN – aumento de 27,5% em relação ao ano anterior. São quase 7 homicídios por dia, ou seja, a cada 3 horas e meia uma pessoa é vítima de homicídio no estado. Em Natal, foram 493 vítimas e a maior concentração dos casos são nas zonas Norte (217) e Oeste (167) da capital.

Cerca de 93% dos homicídios foram de homens e 91% das vítimas eram pardas e negras. Os jovens de 18 a 29 anos representam 48,8% dos casos. A arma de fogo é o meio utilizado em aproximadamente 89% das mortes.

A morte de mulheres no estado também teve um aumento alarmante de 52,8%, com 110 mortes neste ano. O relatório trouxe, ainda, o registro dos 29 casos de feminicídio, assassinato de mulheres com características de violência doméstica e/ou de gênero.

Confira o relatório completo do OBVIO: