*Por Gabriela Olivar

“Meu trabalho é proporcionar felicidade e amor próprio”. Essa é a melhor definição que a artista visual, designer e publicitária Luana Cavalcante poderia atribuir à sua arte. Ela, que já pintou quase 100 mulheres brasileiras, encontrou no corpo humano a superfície mais apropriada para expressar seu fazer artístico.

Nesta quinta-feira (5), a mossoroense fará a 1ª Exposição oSERdeLuAna, a partir das 19h, no Between Food and Galery (Av. Campos Sales, Tirol, Natal). O espectador encontrará 36 capturas fotográficas impressas de corpos femininos – plurais tanto na idade quanto na forma –, que serviram de tela para esta arte que é uma mescla de suas vivências, expectativas e anseios.

“O estudo desse trabalho que desenvolvo começou em 2012, quando eu estudava Design e Multimídia na Universidade de Coimbra, em Portugal, através do Programa Ciência sem Fronteiras”, explicou. “Comecei a desenvolver trabalhos de autorretrato, pensando de que forma eu poderia representar-me enquanto brasileira em Portugal”.

A partir daí, Luana desejou pintar o próprio corpo, como os índios. “Tentava trabalhar expressões que caracterizassem o meu lado indígena e nos estudos comecei a perceber algo além desse conceito inicial, me enxergando como mulher”, ressaltou.

A artista, que disse que naquele momento não se sentia feliz com o seu corpo, percebeu que sem qualquer adereço era linda. “Comecei a enxergar uma beleza inexistente em meu pensamento, e isso me deixou tão feliz que começou a se tornar um hábito diário, a pintura de descoberta do meu eu”.

Em 2013, já no Brasil, Luana começou a conciliar a arte com o trabalho como publicitária em agências -onde atuou por 17 anos como diretora de arte. Depois, o estudo foi interrompido por um tempo, e ela começou a produzir algumas obras que hoje estão expostas na Galeria Colorado, em Portugal.

Após o término de um relacionamento abusivo, “em meio a um mix de tristeza e alívio”, resolveu retomar o importante trabalho que se tornou “autoterápico”. Em outubro de 2016, Luana começou a usar a hashtag #oSERdeLuAna nas redes, quando resolveu compartilhar seus sentimentos e sensações com outras mulheres.

Mulheres que se (re)conhecem

O processo de trabalho de Luana Cavalcante começa com uma espécie de entrevista com cada mulher, em seu ateliê. “Enquanto ouço as histórias, vou desenvolvendo o conceito da pintura, o meu olhar sobre aquela mulher”, explicou. “Após o croqui finalizado, faço cabelo e maquiagem de forma que crie uma harmonia com a pintura”.

Depois, a artista começa a arte corporal e, na sequência, captura através da fotografia as expressões da mulher. “Muitas nunca tinham sido fotografadas, muito menos sem roupa, e eu me sinto privilegiada pela entrega delas”. expressou. “No momento das fotografias, converso com elas, pergunto se estão se sentindo bem, se estão felizes, e os olhos e o sorriso no rosto falam por si”.

Ao colocar o espelho na frente delas, Luana pede que se olhem e digam através da imagem o que veem e como se sentem. “O resultado é sentido além da imagem”. Alguns depoimentos estão no canal do Youtube.

A artista disse que nunca sofreu críticas ou censura por trabalhar a nudez feminina. “Acredito que desde o começo as pessoas entenderam o objetivo do meu trabalho, porque o que quero é que o corpo seja a superfície de expressão”, disse. “As pessoas que veem as publicações na internet ficam mais curiosas em saber qual mensagem aquela mulher está dizendo que propriamente com o corpo nu”.

Luana sente que, para a mulher pintada, há um mix de êxtase e amor consigo própria. “Sempre ouço de muitas que não eram satisfeitas com seus corpos, ao se verem pintadas como obra de arte, dizerem: ‘Nossa, sou eu mesma?’ e ‘Como sou linda'”, afirmou. “Essa é a maior recompensa, me faz feliz como ser humano e sinto que estou somando positivamente nesse mundo”, comemorou a artista visual, que hoje vive exclusivamente desse trabalho.

oSERdeLuAna

Luana Cavalcante, 35 anos, encontrou no pai, Laércio Eugênio, sua primeira referência artística. Em 2006, expôs pela primeira vez no salão Dorian Gray de Arte Potiguar, na categoria expressionista, com a obra Sentidos. No ano de 2011, recebeu Menção Honrosa no Concurso Luso Brasileiro de Cartum Universitário com a obra “A propagação Psico-imagética do consumo exacerbado”. Atualmente, quatro de suas obras estão expostas na galeria Colorado, em Portugal.

A exposição oSERdeLuAna era um objetivo desde o começo, mas não havia recursos. “Quando surgiu Carol Carvalho, que atualmente é minha produtora artística, começamos um trabalho de formatar tudo isso em um projeto escrito para editais, e felizmente tivemos aprovação pelo Economia Criativa 2017 do Sebrae”, contou. Luana deseja em breve conseguir produzir um livro/catálogo com 100 obras e um documentário com mulheres de outros estados do Brasil.

As mulheres que desejam participar do projeto podem fazer agendamento pelo email oserdeluana@gmail.com ou WhatsApp (84) 99480.8998.

*Fotos: Divulgação