Fortalecer a luta das mulheres negras da cidade e do campo contra o machismo, o racismo e a violência. Esse foi o tema central do IV Encontro de Mulheres Negras do RN, realizado nesta quarta-feira (25), em comemoração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha. O evento reuniu representantes de organizações, coletivos e movimentos feministas, além da população de diversas comunidades quilombolas potiguares, no auditório do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública (Sinte-RN).

A coordenadora da Organização de Mulheres Negras do RN, Elizabeth Lima, uma das entidades organizadoras do evento, a população negra feminina continua na mesma situação de “invisibilidade social em que se encontrava há 30 anos no Brasil”. Ela disse que os gestores públicos “precisam compreender que essa situação não pode continuar assim”.

“Por isso estamos aqui reivindicando o acesso às políticas públicas, como forma de diminuirmos o abismo social existente entre as populações branca e negra, em especial as mulheres negras”, comentou.

O deputado estadual e pré-candidato a deputado federal Fernando Mineiro (PT), autor da lei estadual de reconhecimento das terras quilombolas, destacou a “luta histórica” das organizações de mulheres potiguares pelo reconhecimento dos seus direitos.

Para Mineiro, as comunidades negras do RN “são as mais abandonadas do país”, por não terem, em sua maioria, acesso às reclamadas políticas públicas de saúde, educação e emprego e renda.

Ele frisou que essa situação afeta “mais fortemente as mulheres negras”, devido ao machismo e ao racismo, que são “dois traços estruturais da desigualdade social no Brasil”.

A organização do evento entregou um documento com reivindicações das mulheres negras à senadora e pré-candidata a governadora Fátima Bezerra (PT). Ela se comprometeu a incorporar as propostas ao seu plano de governo, que será apresentado à sociedade nas eleições de 2018.

Fátima observou que, após o golpe parlamentar de 2016, “as conquistas obtidas com muita luta nos últimos anos pela população negra, em especial as mulheres negras, estão sendo ameaçadas”.

Ela citou como exemplo a ação movida pelo DEM junto ao STF para tentar derrubar o decreto que regulamentava as regras terras quilombolas, editado em 2003 pelo ex-presidente Lula.

Fátima disse que “o estatuto da igualdade racial e a política de cotas foram marcos importantes do avanço da cidadania da população negra durante os governos Lula e Dilma”. A pré-candidata a governadora enfatizou que “a história das mulheres negras é de luta e resistência”.

Depois de receber o documento com as reivindicações do evento, Fátima disse que “dessa vez poderemos fazer a verdadeira história, que vai ser eleger a primeira governadora de origem popular do RN”.

O evento contou, ainda, com a presença da vereadora de Natal e pré-candidata a deputada federal Natália Bonavides (PT), da vereadora de Parnamirim e pré-candidata a deputada federal Ana Michele (PT) e do professor e pré-candidato a deputado estadual Joás Ferreira.

Fotos: Vlademir Alexandre.