A relação do deputado estadual Fernando Mineiro (PT) com a cultura antecede o mandato dele na Assembleia Legislativa. É possível que, se você não é da área, desconheça que ele é o autor do Programa de Financiamento da Cultura (Profinc), posteriormente rebatizado de Lei Djalma Maranhão. Trata-se da primeira legislação de incentivo ao setor, aprovada em 2001 quando ele ainda era vereador de Natal.

Essa parceria com os movimentos culturais de Natal e do RN se fortaleceu depois que Mineiro assumiu seu primeiro mandato de deputado estadual em 2003. De lá para cá, ele trabalhou para valorizar, incentivar e dar visibilidade aos/às artistas, produtores/as e trabalhadores/as da cena cultural potiguar.

É uma identificação que conta com o reconhecimento de importantes personalidades culturais locais, como o publicitário, cronista e editor Carlos Fialho, idealizador do coletivo “Jovens Escribas” e do projeto “Ação Leitura”, que tem como objetivo divulgar a literatura gratuitamente, estimular principalmente a juventude a ler mais e aproximar escritores novos e veteranos do público.

“O acesso à cultura e o desenvolvimento de ações que contribuam com a inserção da população no cenário cultural não passam despercebidos para Mineiro”, comentou.

Fialho disse que Mineiro foi uma das primeiras pessoas que procurou para falar sobre a ideia do projeto “Ação Leitura”, que em uma única edição chega a alcançar mais de 10 mil alunos da rede pública de ensino de Natal.

“Hoje, se conseguimos alcançar essa meta, isso se deve ao fato de termos sempre contado com parcerias como a de Mineiro, que tem contribuído entusiasticamente com a realização do projeto”, declarou.

Para a jovem poetisa natalense Regina Azevedo, que já tem três livros lançados, Mineiro “é um dos maiores apoiadores e entusiastas da cultura no RN”.

A certeza nasceu da constatação de que ele “sempre está próximo da arte e de seus fazedores, [prestigiando] as peças teatrais, os lançamentos de livros, as batalhas de rap e os diversos festivais que acontecem na cidade”.

Regina destacou, ainda, a proximidade de Mineiro “com os artistas, os debates culturais e o fazer artístico” da cena local, além do fato de ele partilhar “das nossas inquietações e encantamentos”.

“Mineiro carrega o mesmo ideal da maioria dos artistas de Natal: o de que cultura não se faz com evento, mas com incentivos cotidianos e constantes, com seriedade. Acredito que esse, sim, seja um caminho. Por mais incentivo e mais atividades formativas, porque eventos, sozinhos, não são suficientes para a cultura da nossa cidade”, completou.

Essa ligação com a classe artística local, atravessando gerações, foi conquistada com muito diálogo, respeito e parceria, que foram sendo construídos ao longo dos mais de 30 anos de trajetória política de Mineiro.

Além de contribuir para dar visibilidade aos/às artistas potiguares, lutar pela valorização dos/as fazedores/as de cultura no estado e acolher as demandas do segmento, Mineiro propôs projetos de lei que beneficiam diversos setores da área da cultura no RN.

Entre eles merecem destaque a Lei do Livro Henrique Castriciano, cujo objetivo é valorizar a produção de autores/as potiguares; Lei do Patrimônio Vivo, que beneficia os mestres da cultura popular do estado; e a lei que criou o Sistema Estadual de Bandas de Música.

Além disso, Mineiro foi um dos fundadores da Frente Parlamentar Mista do Livro e da Leitura e do Fórum Estadual do Livro e da Leitura; apresentou emendas ao orçamento público de 2011 para criação do Fundo Estadual de Cultura; e propôs em 2014 a criação do Projeto Deífilo Gurgel, realizado pela TV Assembleia e Rádio Assembleia, com objetivo de resgatar, valorizar e divulgar as manifestações culturais populares típicas do RN.

Em seus mandatos, Mineiro sempre enxergou a cultura como um direito da população. Um direito cujo acesso, para ele, precisa ser democratizado através de políticas públicas de inclusão, porque é somente assim que a arte, em suas múltiplas formas de produção, expressão e manifestação, deixará de ser um privilégio para se tornar um bem comum a todos/as.

Fotos: Vlademir Alexandre.