O repórter e editor da agência Saiba Mais, Rafael Duarte, foi homenageado na Assembleia Legislativa, nesta sexta-feira (06), na sessão solene em alusão ao Dia do Jornalista, comemorado no dia 7 de abril. Ele foi indicado pelo deputado estadual Fernando Mineiro (PT), que reconhece a importância do trabalho desenvolvido por Rafael ao longo desses 13 anos no jornalismo potiguar e pela iniciativa de criar, em parceria com outros profissionais, a primeira agência de reportagem e mídia independente do RN.

Natural de Brasília, Rafael mora em Natal desde 1998 e se formou em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Trabalhou como repórter no Diário de Natal e Tribuna do Norte e como repórter especial no Novo Jornal. Ele também é autor da biografia “O Homem da Feiticeira – a história de Carlos Alexandre”, lançado em 2015 pelo selo Caravela Cultural.


Rafael Duarte agradeceu a homenagem recebida, principalmente pela iniciativa ter partido de um “parlamentar que está conectado às demandas sociais, políticas e culturais da cidade e do Estado, como o deputado Fernando Mineiro”. Ele também estendeu a homenagem à equipe da Saiba Mais como Iano Flávio, Vlademir Alexandre, Nicole Tinôco e João Victor, além dos colunistas e leitores.

“Toda homenagem é uma espécie de reconhecimento. E nesse momento em que o jornalismo é colocado à prova e optamos por investir no jornalismo independente, na cara e na coragem, essa homenagem, na verdade, funciona como um estímulo”, destacou o jornalista.


Confira a opinião de Rafael Duarte sobre temas como o desafio de produzir mídia independente e como é feito o jornalismo no RN.

~ A experiência com a agência Saiba Mais e o desafio de fazer um jornalismo independente
“A Agência Saiba Mais é uma iniciativa de jornalismo independente pioneira no Rio Grande do Norte financiada pelos leitores e por parceiros ligados a movimentos sociais, sindicais e populares. O desafio é enorme tanto pela novidade da proposta como pelas dificuldades inerentes ao próprio jornalismo, que passa hoje por transformações no seu formato e no conteúdo. Se até há pouco tempo o jornalismo tinha um papel fiscalizador, hoje passou a ser fiscalizado numa proporção até maior, o que escancarou problemas que, antigamente, não ultrapassavam as paredes das redações tradicionais”.

~ O declínio do jornalismo impresso e a emergência do digital
“A questão é matemática. Existe uma geração de pessoas que não lê mais jornal impresso, essa é uma realidade. E sem consumidor, a receita diminui. Então, economicamente falando, é muito caro manter um jornal impresso em razão dos custos do papel e da impressão. As iniciativas que ainda se sustentam no Brasil ou reduziram muito a tiragem e se adaptaram a um mercado cada vez mais segmentado ou dependem de financiamento pesado, às vezes ligado a algum projeto político com prazo de validade. Por outro lado, a internet abriu espaço para novas iniciativas, embora esteja bem longe ainda de ser um campo democrático. A proliferação de veículos na internet, como blogs e sites, potencializados pela dinâmica das redes sociais levou uma parcela da sociedade a pautar a emergência da informação como uma espécie de primeiro mandamento do jornalismo. Mas não é. A qualidade da informação e o compromisso com a verdade factual seguirão sempre como os faróis do bom e necessário jornalismo”.

~ O jornalismo feito aqui no estado
“O Rio Grande do Norte é um Estado oligárquico historicamente controlado por famílias que se tornaram empresas. E a imprensa sempre serviu de caixa de ressonância para os interesses desses grupos. Como o Brasil nunca regulamentou sua legislação de comunicação vemos aberrações do tipo parlamentares controlarem televisões, rádios e jornais num mesmo Estado, o que se configura crime de propriedade cruzada, mas que acontece aqui. Por outro lado, o Estado produz profissionais da mais alta qualidade, que não devem absolutamente nada para os colegas do centro-sul, onde estão os principais veículos da imprensa tradicional, por exemplo. Aliado a isso temos um mercado local muito dependente da publicidade estatal, o que também influencia no conteúdo, e uma desvalorização profissional estarrecedora, tanto que até há pouco tempo o RN estava no topo da lista onde as empresas jornalísticas pagavam o pior piso do Brasil para a categoria”.

Fotos: Vlademir Alexandre