O deputado estadual Fernando Mineiro (PT) denunciou, na sessão desta terça-feira (7), que a mudança de status da Refinaria Potiguar Clara Camarão, anunciada há poucos dias pela Petrobras, faz parte do processo de desinvestimentos da estatal no RN e consequente entrega das riquezas nacionais à iniciativa privada.

Mineiro conclamou os/as demais deputados/as da Assembleia a se posicionarem contra o rebaixamento, por meio de uma nota unificada, e fazer coro ao movimento nacional contra o desmonte da Petrobras. A sugestão foi acatada, e o texto será enviado ao Senado Federal até amanhã (8), onde a senadora Fátima Bezerra (PT-RN) presidirá audiência pública sobre o tema.

“O que estamos vendo é um processo de entrega de tudo que a sociedade conquistou”, lamentou Mineiro. “A Petrobras tem um papel essencial na economia e no desenvolvimento do estado”, completou. O deputado destacou que a Clara Camarão é um diferencial no RN e o seu rebaixamento desativa importantes funções com relação ao refino para produção do combustível para aviação.

Mineiro afirmou que quem conhece Mossoró, Guamaré e a região do Vale do Açu, por exemplo, sabe do impacto dos desinvestimentos da Petrobras. “Quebradeira do comércio, diminuição do papel de pousadas e hoteis, fechamento de restaurantes”, citou. “Estamos sentindo mais do que nunca, no estado, as mudanças em curso no país com relação às privatizações”.

Bancada federal

A Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado (CDR), presidida pela senadora Fátima Bezerra, debaterá, amanhã, os planos de investimento e a estrutura de gestão da Petrobras, em especial quanto à Refinaria Potiguar Clara Camarão.

Para Fátima, a mudança de status faz parte do desmonte da Petrobras pelo Governo Temer, iniciado há um ano, e que, no RN, já teve como efeito o abandono dos campos maduros e a diminuição dos investimentos da empresa.

O deputado Mineiro mais uma vez questionou qual será o posicionamento da bancada federal, cuja maioria dos deputados e senadores votou e vota a favor do ilegítimo Temer. “Os que apoiaram o golpe se mantêm fora do tom em relação a essa questão da Petrobras. Estão mais preocupados em garantir suas emendas em troca de apoio ao presidente”.

Para o deputado, o governo federal poucas vezes teve tanto apoio da bancada do RN como agora. “E o que eles fazem? Cara de paisagem em relação ao retrocesso”, denunciou. “O RN está assistindo de maneira triste ao processo de ataques aos direitos trabalhistas, Saúde, Educação, Segurança”.

O papel da refinaria

Com o rebaixamento, a refinaria Clara Camarão volta a ser subordinada à diretoria de Exploração e Produção da empresa, depois de oito anos. De forma contraditória, acontece no momento em que a Clara Camarão recebeu autorização da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para passar a processar 45 mil barris de petróleo por dia com possibilidade de expansão em curto prazo para 66 mil barris de capacidade.

Além de gerar emprego e renda e movimentar a economia, a refinaria produz o querosene usado no combustível de aviação, importante na disputa do RN com estados vizinhos para atrair o hub da Latam. Com ela, o Estado também passou a ser autossuficiente e exportar gasolina, diesel, combustível de aviação e gás de cozinha.

Foto: Vlademir Alexandre