O relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou “transações atípicas” na conta do policial militar Fabrício José Carlos Queiroz, ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), aponta movimentação financeira também dele com sua filha Nathalia Melo de Queiroz, ex-assessora do deputado federal e presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Conforme publicou o jornal O Estado de S. Paulo, o PM movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Uma das transações é um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama Michelle Bolsonaro.

O documento produzido pelo Coaf, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), foi anexado à investigação que apura um esquema de corrupção na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a Operação Furna da Onça, que prendeu dez deputados estaduais no dia 8 de novembro.

O Coaf é a unidade responsável por monitorar e receber todas as informações dos bancos sobre transações suspeitas ou atípicas. O órgão informou que foi comunicado das movimentações de Queiroz porque elas são “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira” do ex-assessor parlamentar, segundo a reportagem.

O conselho organizou os dados para os procuradores em uma lista com 22 nomes. O motorista e segurança do senador eleitor é o 20º no documento, que reúne informações sobre R$ 200 milhões em transações de contas de funcionários do legislativo fluminense. Na conta de Queiroz foi identificada a movimentação de R$ 1,2 milhão no período de um ano.

Citada no relatório entregue ao MPF, consta a transação do ex-assessor de um cheque de R$ 24 mil para a futura primeira-dama Michelle Bolsonaro. O cheque foi compensado em favor da esposa do presidente eleito Jair Bolsonaro e consta na lista de valores pagos por Queiroz. “Dentre eles constam como favorecidos a ex-secretária parlamentar e atual esposa de pessoa com foro por prerrogativa de função – Michelle de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro, no valor de R$ 24 mil”, diz o documento do Coaf.

Fabrício José Carlos de Queiroz foi exonerado do gabinete de Flávio Bolsonaro no dia 15 de outubro deste ano. Nathalia, lotada no gabinete de Jair Bolsonaro como secretária parlamentar e exonerada na mesma data do pai, foi citada em dois trechos do relatório. O documento não deixa claro os valores individuais das transferências entre eles, mas junto ao nome de Nathalia está o valor total de R$ 84 mil.

SAQUES E “TENTATIVAS DE BURLAR CONTROLES”
Ainda segundo a reportagem, os técnicos do Coaf encontraram cerca de R$ 320 mil em saque na conta do ex-assessor. Do total, R$ 159 mil foram sacados em agência bancária no prédio da Assembleia, no centro do Rio de Janeiro. O relatório do conselho aponta também transações suspeitas entre funcionários da Alerj.

O Coaf informou ainda que recebeu o comunicado do banco sobre 10 transações “fracionadas” no valor total de R$ 49 mil, o que poderia configurar uma “possível tentativa de burla aos controles”. No relatório consta que “a conta teria apresentado aparente fracionamento nos saques em espécie, cujos valores estão diluídos abaixo do limite diário”.

REPRESENTAÇÃO CRIMINAL
O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), ingressou nesta quinta-feira (06), na Procuradoria-Geral da República, representação criminal pedindo a abertura de procedimento de investigação para apurar possíveis ilícitos criminais e administrativos envolvendo Flávio Bolsonaro e Michele Bolsonaro.

O deputado pede também para que seja verificado se a futura primeira-dama declarou ao Fisco a movimentação financeira, inclusive com o recolhimento de impostos devidos. Assim, solicita a cooperação junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, com o objetivo de verificar se Michele não praticou possíveis crimes tributários e/ou outros ilícitos civis. “Os fatos noticiados são graves e merecem uma investigação aprofundada”, alerta Paulo Pimenta.

*Com informações do Estadão e Agência PT de Notícias.