Uma das principais facetas da desigualdade racial no Brasil é a forte concentração de homicídios na população negra. Dentre os estados brasileiros, o RN ocupa uma posição alarmante: segunda maior taxa de homicídio de negros (70,5%) e crescimento de 321,1% desses casos na década 2006-2016. A média nacional é de 40,2 e 23,1%, respectivamente. Os dados são do Atlas da Violência 2018, produzido pelo Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).


Ao comparar a violência letal de negros (pretos e pardos) e não negros (brancos, amarelos e indígenas), é como se esses grupos vivessem em países completamente distintos. Em 2016, por exemplo, a taxa de homicídios de negros foi duas vezes e meia superior à de não negros (16,0% contra 40,2%). Em um período de uma década, entre 2006 e 2016, a taxa de homicídios de negros cresceu 23,1%. No mesmo período, a taxa entre os não negros teve uma redução de 6,8%. Cabe também comentar que a taxa de homicídios de mulheres negras foi 71% superior à de mulheres não negras.

“A desigualdade racial no Brasil se expressa de modo cristalino no que se refere à violência letal e às políticas de segurança”, apontou a publicação. “Os negros, especialmente os homens jovens negros, são o perfil mais frequente do homicídio no Brasil, sendo muito mais vulneráveis à violência do que os jovens não negros. Por sua vez, os negros são também as principais vítimas da ação letal das polícias e o perfil predominante da população prisional do Brasil”.

Ainda de acordo com os grupos que produziram o levantamento, “para que possamos reduzir a violência letal no país é necessário que esses dados sejam levados em consideração e alvo de profunda reflexão”. “É com base em evidências como essas que políticas eficientes de prevenção da violência devem ser desenhadas e focalizadas, garantindo o efetivo direito à vida e à segurança da população negra no Brasil”.

Os dados trazidos pelo Atlas da Violência 2018 vêm complementar e atualizar o cenário de desigualdade racial em termos de violência letal no Brasil já descrito por outras publicações. É o caso do Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência, ano base 2015, que demonstrou que o risco de um jovem negro ser vítima de homicídio no Brasil é 2,7 vezes maior que o de um jovem branco. Já o Anuário Brasileiro de Segurança Pública analisou 5.896 boletins de ocorrência de mortes decorrentes de intervenções policiais entre 2015 e 2016, o que representa 78% do universo das mortes no período, e, ao descontar as vítimas cuja informação de raça/cor não estava disponível, identificou que 76,2% das vítimas de atuação da polícia são negras.

*Com informações do Atlas da Violência 2018 / Foto: Agência Brasil