“O RN já se tornou um símbolo de violência e, lamentavelmente, assume agora o aumento alarmante da violência sexual contra a mulher. É chocante”, comentou Divaneide Basílio, integrante da coordenação de Mulheres do PT-RN. A opinião é em referência aos dados do Ministério da Saúde, divulgados pela Folha neste domingo (20), que mostram o aumento de 400% na taxa de estupros coletivos no estado, entre 2011 e 2016.

Com isso, o RN ocupa a quinta posição no ranking dos estados que mais pioraram a situação no Brasil, ficando atrás apenas da Rondônia, Piauí, Espírito Santo e Ceará. Considerando o país todo, a média de aumento da taxa de estupros coletivos foi de 125% durante esses cinco anos e, em 2016, a taxa foi de 1,72 estupros coletivos a cada 100 mil habitantes. No estado potiguar, o número é de 0,58. O estudo mostra também que 15% dos estupros são coletivos e que ocorrem pelo menos 10 casos por dia no país.

Divaneide Basílio acredita que as políticas públicas voltadas para as mulheres no RN “deixam muito a desejar” e defendeu a criação de uma rede de apoio às vítimas de violência sexual. “O trabalho do Ministério Público e da Defensoria são muito importantes, mas é necessário que exista uma rede para que a política garanta acolhimento, proteção e acompanhamento a essas mulheres”.

Ela comentou, ainda, o aumento do número de assassinatos contra mulheres no RN. O último levantamento divulgado pelo Observatório da Violência do RN (Obvio), com dados até o dia 13 de agosto, mostra que em 2017 foram 89 femicídios (assassinato de mulheres em geral) e 27 de feminicídios (assassinato de mulheres com características de violência doméstica e/ou de gênero).

“O Estado precisa aprofundar o olhar sobre essa situação, tanto do ponto de vista dos dados, para que não transforme as mulheres apenas em números, quanto do ponto de vista da investigação e da condenação”, disse. “É preciso qualificar os dados sobre os assassinatos para saber a origem dessas mortes, se teve estupro anterior ou se teve estupro coletivo, por exemplo”.

Para a petista, a violência contra mulheres é um dos maiores símbolos do adormecimento de uma sociedade que naturaliza a violência. “O estupro já é uma violência cruel, agora você tem o estupro coletivo e percebe esse símbolo de posse e machismo combinado entre várias pessoas para se apropriarem de uma vítima, de uma mulher”.

As consequências não só físicas, como emocionais e psicológicas, também foram destacadas por Divaneide. “Uma agressão como essa deixa marcas para o resto da vida. As que sobrevivem – porque em muitos casos elas morrem – não continuam vivendo. Elas passam a sobreviver”. E reforçou: “É preciso entender que respeitar o direito das mulheres não é uma brincadeira ou adereço, é de fato respeitar a vida das mulheres”.

Foto: Vlademir Alexandre.