O jornalista Rubens Lemos Filho lança nesta quinta-feira (9), às 18h, na sede da AABB em Natal, o livro Memória Póstumas do Estádio Assassinado, que conta a história do Machadão, o ‘Poema de Concreto’ demolido para construção da Arena das Dunas, usada na Copa do Mundo 2014. “[É] um livro vingador”, afirma o texto de contracapa, “[escrito] com a paixão do menino roubado em seu brinquedo mais querido e a razão do jornalista indignado com os predadores da cidade, que não se pejam de avançar sobre bem tão valioso quantos os dinheiros públicos: a memória coletiva.”

A obra tem 472 páginas e mais de uma centena de imagens de personagens, eventos e documentos que ilustram o percurso da ideia que demorou quase duas décadas para sair do papel. O impacto inicial no futebol e na vida da cidade foi positivo. Natal sediou um dos grupos da Copa Independência, em 1972, com um jogo da seleção portuguesa do craque Eusébio. Os clubes locais passaram a disputar o campeonato nacional, recebendo os principais times e craques do país, e a jogar clássicos para públicos médios anuais de 32 mil pagantes (como aconteceu com ABC x América em 1976).

“Somente quem jamais sentou em cimento quente de arquibancada, chupou laranja sem dinheiro para o refrigerante e bebeu hectolitros nos bares entupidos de gente tensa, não sente a falta do Machadão. Quem gosta de luxo, prefere a Arena. Quem viveu o Castelão (Machadão) e enxerga o futebol como elemento a igualar ricos e pobres, lamenta o que foi feito. Deformaram a bola como símbolo de um esporte mágico”, destaca Rubens Lemos Filho no belo capítulo de abertura do livro.

Ele ressalta que a demolição do Machadão era desnecessária: “A Copa poderia ter sido no Castelão (Machadão)? Claro. Moacyr Gomes fez belo projeto para reformar o estádio. Somente Natal, em sua crônica falta de amor próprio, e Cuiabá tiveram seus estádios originais destruídos. Maracanã, Mineirão, Beira-Rio, embora mutilados, tiveram sua essência primária mantida”, diz.

Foto: Castelão lotado no dia da inauguração, em imagem aérea colhida pelo fotógrafo Jaeci